Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Duarte Sodré, Alcaide-mor de Tomar, falecido a 25 de Agosto de 1500

 

  • Foi um dos mais importantes freires cavaleiros da Ordem de Cristo da segunda metade do século XV.
  • É bem possível que tenha nascido durante o reinado de El-Rei D. Duarte, entre 1433 e 1438, o que justificaria o nome próprio que lhe deram de Duarte.
  • Muito provavelmente, era natural de Santarém, pois os seus pais aí viviam numa casa ao pé da calçada do Gaião, que Duarte herdou. Sabe-se que era uma casa grande com um quintal de árvores e laranjeiras.
  • Sua mãe foi Inês Sodré, talvez nascida por volta de 1414.
  • O seu apelido de Sodré e respetivo brasão veio-lhe pelo avô materno, que uma fonte fidedigna, mas posterior, diz ser João Sodré e refere-o como Fidalgo  da Casa de D. Afonso V. Este João é provavelmente o mesmo que Zurara apresenta como Cavaleiro em Ceuta antes de 1418, pelo que deve ter participado na sua conquista em 1415.  .
  • Duarte não seria o primogénito mas sim um filho segundo. Seu pai, Gil Pires de Resende, exerceu diversos cargos ao serviço da Coroa, nomeadamente Contador régio nos almoxarifados de Santarém e Abrantes; Vedor-mor das obras régias de Almeirim; Procurador régio; Escrivão da sisa e dízima régia de diverso pescado do rio Tejo; e instituiu uma capela na Igreja de Santa Cruz de Santarém. Por linha feminina, descendia de Martim Vasques de Resende, a quem El-Rei D. João I, a 21 de Setembro de 1386, confirmou a posse do couto de Resende que lhe vinha de seus antepassados.
  • Em 1465, era Escudeiro da Casa do Infante D. Pedro (filho de D. Pedro, antigo regente do Reino e Duque de Coimbra, morto na Batalha de Alfarrobeira, a 19 de Maio de 1449), ex-Condestável do Reino e efémero Rei da Catalunha de 1464 a 1466.
  • A 06 de Junho de 1466, o Rei D. Afonso V perdoou-lhe o degredo na vila de Santarém, sendo Escudeiro da Casa do Infante D. Fernando, falecido em 1470 (Duque de Viseu e de Beja, Mestre da Ordem de Cristo, herdeiro do Infante D. Henrique “o Navegador”, seu tio. Foi o pai do futuro Rei D. Manuel), tendo pago 200 reais para a Piedade. Ainda desconheço qual a razão para esse degredo.
  • Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador de Santa Ovaya do Juncal, antes de 1475.
  • A 21 de Março de 1475, o Rei D. Afonso V privilegiou-o, a pedido do Duque (D. Diogo), ao conceder-lhe licença para arrendar a Comenda de Santa Ovaya do Juncal, da qual então já era Comendador.
  • A 21 de Junho de 1476, o Rei D. Afonso V confirmou o privilégio a Duarte Sodré, Comendador, para todos os seus caseiros e lavradores.
  • Vedor da Casa do Duque de Viseu, D. Diogo, que era o Mestre da Ordem de Cristo.
  • Por carta de 23 de Agosto de 1486, registada na Chancelaria do Rei D. João II, onde é designado como Cavaleiro da Casa Real, o Príncipe Perfeito autoriza-o a constituir um morgado nos reguengos de Tojoza e Alviela (termo de Santarém) com a obrigação dos sucessores seguirem o apelido Sodré.
  • No seu testamento, Duarte expõe o modo de sucessão nesse morgado e assume-se como fundador de uma linhagem iniciada com este morgado, cujos descendentes devem fazer por acrescentar e conservar a memória da sua origem.
  • Recebeu do Rei D. João II, a 10 de Novembro de 1492, a doação de certos bens e herança no lugar de Romão, no almoxarifado da Guarda, tomados a três moradores locais.
  • Vedor da Casa do Duque de Beja, futuro Rei D. Manuel, e Mestre da Ordem de Cristo, já o era a 10 de Novembro de 1492, passando a Vedor da Casa Real quando este subiu ao trono em 1495.
  • A 26 de Janeiro de 1493 já era Comendador e Alcaide-mor de Tomar (sede da Ordem de Cristo).
  • Provedor das capelas do Infante D. Henrique (o Navegador) com 7 marcos de prata de ordenado, desde o momento em que foi designado Alcaide-mor de Tomar, por inerência a este cargo decorrente de disposição testamentária do Infante.
  • Comendador da Cardiga, em data posterior a 26 de Janeiro de 1493 (neste dia ainda pertencia a Heitor de Sousa), uma das mais importantes da Ordem de Cristo.
  • Pelo menos desde 1494, foi Alcaide-mor de Seia.
  • Fez testamento em Montemor-o-Novo, a 29 de Fevereiro de 1496, o qual foi redigido por um tal Rui de Pina, Cavaleiro da Casa Real e Escrivão das confirmações, que bem podia ser o futuro Cronista e Guarda-mor da Torre do Tombo, autor de uma crónica de El-Rei D. João II.
  • No testamento manda que lhe façam uma campa “com minhas armas e nela se ponha letra que faça memória de mim”. Pede para ser enterrado ante o altar de Nossa Senhora.
  • A 07 de Agosto de 1500, documento refere-o como Fidalgo régio.
  • Faleceu a 25 de Agosto de 1500.
  • Está sepultado junto ao altar-mor da Ermida de Nossa Senhora do Monte, em Santarém, tendo a sua lápide, epitáfio, escudo de armas pleno de Sodré, ladeado de espada e lança-pendão.
  • Epitáfio “Aqui jaz o muito honrado Duarte Sodré que foi veador da caza D’ El Rey D. Manuel e alcaide mor das vilas de Tomar e Sea e comendador da cardiga o qual descende e vem da linhagem da caza do Sodrea que he caza de grandes senhores do Reyno de Inglaterra e finou-se aos 25 dias de Agosto de mil e quinhentos.” (*)
  • Segundo escreve o seu filho Manuel, terá morrido pobre devido à sua generosidade e, enquanto viveu, era muito valido junto do Rei e conhecido no reino.
  • Os seus descendentes que foram Senhores de Águas Belas (Ferreira do Zêzere), e usavam o apelido Sodré Pereira, eram considerados os chefes do nome e armas de Sodré, até porque também detinham o morgado por ele instituído em 1486.
  • Conforme diz no seu testamento, teve seis filhos legitimados de Catarina Nunes (os cavaleiros da Ordem de Cristo só puderam casar a partir de 20 de Junho de 1496 por autorização do Papa Alexandre VI), que chamaram João Sodré (frade franciscano), Francisco Sodré, Manuel Sodré, Inês de Resende (freira), Leonor Sodré (freira), Isabel Sodré (freira). Refere o seu irmão Antão Sodré (testamenteiro) e a sua irmã Clara Sodré (freira)
  • Integrando o seu morgado, que passou para o segundo filho Francisco, deixou dois casais, um no reguengo do Alviela e outro no reguengo da Tojosa, a sua casa em Santarém e alguns direitos e rendas.
  • Nomeia os seus pajens e outros servidores e os seus escravos, a todos fazendo mercês, os seus credores e os devedores para que se saldem as contas.
  •  Da enumeração de bens que manda distribuir fica-se com a impressão que pouco terá ficado para Francisco e Manuel e daí ambos terem partido para a Índia, em 1508, e por lá morrido.
  • As suas armas seriam divididas pelos seus dois filhos (Francisco e Manuel). O “cavalo grande” ficaria para o morgado Francisco. Ao filho primogénito, o franciscano João, deixa a sua bênção.
  • No testamento, afirma-se Alcaide-mor de Tomar e da vila de Seia, e Criado de D. Manuel.
  • Por disposição testamentária, pede para ser enterrado envergando o seu manto branco de freire cavaleiro da Ordem de Cristo que vestia diariamente, conforme ordenava a regra da Ordem.

(*) Há indícios de que os dizeres na campa relativos a vir de uma Casa do Sodrea, de grandes senhores ingleses, seja um empolamento dos seus descendentes, uma vez morgados, para enobrecerem as suas origens, e que, na realidade, o apelido Sodré derive de uma alcunha criada em Portugal, talvez na segunda metade do séc. XIV.   

 
publicado por Eu às 19:35
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