Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Campa de Duarte Sodré, Alcaide-mor de Tomar no final do séc XV

 

         

                                                                                     

Campa de DUARTE SODRÉ, falecido a 25 de Agosto de 1500

 

publicado por Eu às 18:03
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Instituição e Confirmação do Morgado de Águas Belas

Este Rodrigo Álvares Pereira, 1º Senhor de Águas Belas, era irmão do Santo Condestável.

A partir do casamento de Violante Pereira com Francisco Sodré, em finais do séc XV ou inícios do XVI, começou um processo que levaria a que os Sodré Pereira se tornassem Senhores de Águas Belas, acumulando com o morgado dos Sodré de Santarém na região do Alviela.    

 
Dom Pedro pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve. A quantos esta carta virem faço saber que Álvaro Fernandes escudeiro meu vassalo tutor de Rodrigo Álvares e de Pedro Álvares e de Diego Alvares criados do prior do Hospital me disse que ele e Gomes Martins do monte outrossim meu vassalo e João Afonso natural de Sevilha fizeram doações de parte de seus bens aos sobreditos cujo tutor ele é como se contém em escrituras públicas de tabeliães que tais são. Em nome de Deus amém saibam quantos esta carta de doação e de ordenação e de morgado virem que eu Álvaro Fernandes escudeiro vassalo do infante D. Pedro dou e outorgo por juro e herdade para sempre a vós Rodrigo Álvares filho de D. Álvaro Gonçalves de Pereira as minhas quintas de Águas Belas e de Vale de Orjaes com todas as herdades também de pão como de vinho assim arrotas como por arromper e com todos os casais e matas e defesas e com todo o senhorio e couto e honra e jurisdição e padroado da igreja de Santa Maria do dito lugar de Águas Belas e com todas as entradas e saídas e divisões e com todos seus usos e direitos e coisas e pertenças que às ditas quintas pertencem de direito e de facto também nos termos e divisões das ditas quintas como fora deles. E esta doação e ordenação faço por esta guisa que depois da nossa morte fiquem as ditas quintas e as coisas sobreditas ao primeiro filho lídimo que houverdes e assim fique sempre ao maior filho daqueles que de vós descenderem lidimamente. E quando hi houver filho lídimo a filha lídima não possa herdar como quer que maior seja. E quando hi não houver filho lídimo que então fiquem as ditas quintas e casais e pertenças delas e senhorio e jurisdição e padroado a Pedro Álvares irmão do dito Rodrigo Álvares e aos seus filhos e aos descendentes deles pela guisa que dito é de Rodrigo Álvares. E não ficando filhos lídimos do dito Pedro Álvares que fiquem a Diego Álvares e daí em diante fiquem pela linha direita aos descendentes dele. E se hi não houver descendentes fiquem a seus irmãos que venham da parte do dito D. Álvaro Gonçalves padre do dito Diego Álvares e haja os para sempre uma pessoa por morgado pela guisa que dito é de Rodrigo Álvares e de seus descendentes. E quando estes susoditos não houverem filhos lídimos que então as filhas maiores possam herdar assim como dito é dos filhos maiores lídimos e assim os seus descendentes deles. E ficando estas pessoas susoditas extintas e os descendentes delas que então fiquem as ditas quintas e casais e jurisdição e senhorio e padroado e pertenças delas ao Hospital de Santa Maria de Flor da Rosa. E esta doação vos faço por muito bem e muita mercê que me fez vosso padre e aqueles donde vindes e dou e outorgo eu dito Álvaro Fernandes a vós dito Rodrigo Álvares quer a vosso tutor ou criador poder cumprido para entrardes em tença e a posse das ditas quintas e coisas susoditas sem outorgamento de juiz ou doutra pessoa qualquer e sem outra nenhuma figura de juízo. E sobre tudo isto prometo e outorgo que esta doação e ordenação e morgado vá sempre por firme e estável e que nunca contra ela venha por nenhuma maneira a….damente que nunca a revogarei ainda que depois fizerdes ou disserdes algumas das coisas que dizem as leis por que as doações podem ser revogadas. E todas estas coisas e cada uma delas prometo por mim e por meus herdeiros de guardar e cumprir e de não vir contra nenhuma delas sob pena de quatro mil libras a qual pena pagada ou não a dita doação ordenação fique sempre firme e valedora feita a dita carta em bom jardim termo da Sertã seis dias de Setembro era de mil trezentos e noventa e quatro anos (é 1356, pois é preciso descontar 38 anos para transformar a era de César em era de Cristo).
Testemunhas: frei João Fernandes comendador da Flor da Rosa e João Afonso e Vasco Rodrigues e Gomes Martins escudeiros do prior do Hospital e outros. E eu Domingos Vicente tabelião de nosso senhor El-Rei na Sertã a isto presente e rogado fui e a mandado e outorga do dito Álvaro Fernandes esta carta da dita doação e coisas escrevi e meu sinal aqui fiz que tal é.
 
E para as ditas doações serem firmes e estáveis para sempre e não poderem ser desfeitas nem revogadas pediu-me por mercê o dito Álvaro Fernandes como tutor dos ditos moços e em seu nome deles que lhas confirmasse e outorgasse as ditas doações como em elas é conteúdo e lhes mandasse dele dar minha carta. E eu vendo o que me pedia e querendo fazer graça a mercê aos ditos Rodrigo Álvares e Pedro Álvares e Diego Álvares de minha certa ciência e de meu poder absoluto outorgo-lhes e confirmo as ditas doações que lhes assim os sobreditos Álvaro Fernandes e Gomes Martins e João Afonso fizeram das ditas quintas e coutos e honras e pertenças e direitos delas e as hei por firmes estáveis para sempre pela guisa que lhes pelos sobreditos foram dadas e outorgadas e é conteúdo nas ditas cartas das ditas doações. E se nas ditas doações e em esta minha carta de confirmação falecem algumas clausulas que de direito e de costume aí devessem ser postas para as ditas doações serem valiosas e estáveis eu as hei aqui por postas e escritas. E quero e mando que lhe não possa porem de fazer nenhum prejuízo. E que valham e sejam firmes e estáveis para sempre sem outro nenhum valimento. E em testemunho disto mandei dar aos sobreditos Rodrigo Álvares e Pedro Álvares e Diego Álvares esta minha carta selada do meu selo de chumbo dada em Elvas XX de Maio El-Rei o mandou por Lourenço Esteves seu vassalo Vasco Anes a fez era de mil trezentos e noventa e nove anos (é 1361, pois é preciso descontar 38 anos para transformar a era de César em era de Cristo).
 
Chancelaria de D. Pedro I, livro 1, folha 53v)
 
Ver anexo XXXII, pp 64-66 da obra “A Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere” de António Baião (director da Torre do Tombo, etc…) Imprensa Nacional de Lisboa, 1918.
publicado por Eu às 22:09
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Testamento de Duarte Sodré, 29 de Fevereiro de 1496

 

(Testamento feito em Montemor-o-Novo no último dia de Fevereiro de 1496, uma 2ª feira dia 29, redigido por Rui de Pina, talvez o que veio a ser cronista a guarda-mor da Torre do Tombo).
(Este texto é o do traslado que se fez em Santarém, a 14 de Setembro de 1524, a pedido da Abadessa do Mosteiro de Santa Clara)
(ADSTR, Convento de Santa Clara de Santarém, é esta referência do testamento no artigo “Ensaio sobre a origem dos Resende/Sodré” da revista Armas e Troféus de 2008))
(Eu tenho fotocópia do mesmo testamento existente no Livro das Escrituras e Partilhas, Testamentos, etc. 1465-1573, guardado no Arquivo Distrital de Santarém)
 
Trelado da Cedolla de Duarte Sodre
Porque a mais certa cousa que temos he morer e a menos certa a ora da morte portanto eu Duarte Sodre veador da casa d’el Rei Dom Manuel o primeiro noso senhor e alcaide moor das vyllas de Tomar e Sea estamdo em meu verdadeyro siso e proprio emtemdymento por descarguo de mynha comciemcia e por certidam de mynha fazenda aseceguo e comcordya de meus filhos faço esta cedulla que eu aprovo e ey por firme como o mais solene testamento que de direito se pode fazer e por ela revoguo todollos outros que ate quy tevesse feytos e quero que esta soo valha porque esta e mynha deradeyra vontade.
Primeyramente quando Noso Senhor Deus ouver por bem d’aquabar mynha vida eu d’aguora pera emtaom protesto e afirmo que mouro e morerey fiel christom e na fee verdadeira de Noso Senhor Jhesu Christo e que tenho e creyo fyrmemente ho que tem e cree a Samta Madre Jgreja de Roma e com esta inteyra fee emcomendo principallmente mynha allma a Jhesu Christo nosso verdadeyro Deus e Senhor e a elle peço com toda (riscado: solenidade) omylldade e inteyra devaçam que na lembrança de sua santa payxaom queyra aver com ella myserycordya pera lhe dar a groria e descamso que de sua imfimda pyedade espero e não a pena que meus gramdes pecados merecem e tomo ante seu inmenso poder por avoguada de minhas fraquezas a bem avemturada Vyrgem Maria sua madre nossa senhora a que humyllmente peço que por sua pyedade e minha devaçam ho queyra ser.
Mamdo que quamdo for meu falecymento seja meu corpo emterado em alguum mosteyro se o ho ouver no luguar ou jumto com elle e seja amte o altar de Nossa Senhora e pera yso se compre a dita sepultura como he de costume e se nom ouver mosteyro seja em algua igreja da avocaçom de Nossa Senhora e amte ho seu altar e ysto se emtenda se eu nom falecer em Tomar ou tam jumto com elle que me posam beem la levar porque neste caso mamdo que me sepultem demtro no comvemto porque sou profeso e em quallquer luguar me poram hum ataude sobre a mynha cova cuberto de pano da doo como se aos semelhantes acostumam.
No dya de meu falecymento mamdo que me façam ho oficyo dos mortos e me levem as tochas e ofertas que parecer bem a pesoa que em mynha casa a ese tempo tever moor carguo o quall se acomcelhara sobre yso com meus amyguos pera que faça ho devydo e não demasyado e me dyguaom alguas mysas nese dya rezadas e hua soo camtada e sayam sobre mym com respomso.
Item mamdo que sobre mym lamcem hua campanam com mynhas armas e nella se ponha letra que faça memorya de mym e de cujo criado fuy que he el Rey Dom Manuell noso senhor.
Item mamdo que ho meu testamemteyro mamde fazer saymento por mym comforme ao emterramento e seja ao tempo e no modo e maneyra que lhe parecer bem porque tudo leyxo a sua deseiçam.
Mamdo que me dygaom tres trymtayros emçarrados e por mynha alma dem por cada huum myll e quinhemtos reis e sejam dytos se for pocyvell na igreja omde eu for emterado ou se diguam em alguum outro mosteyro de boos homes relygyossos ou omde ao meu testamenteyro bem parecer e lhe for poçyvell.
Leyxo por testamenteyro de mynha alma e por tytor de meus fylhos todos a Amtaom Sodre meu irmaoom ao quall peço por merçe e pello amor de Deus e por a gramde afeiçam e amor que me sempre teve que se emcaregue deste meu testamento e de todallas cousas que se nelle comtem porque eu todas e cada hua dellas careguo sobre elle e semdo caso que elle per quallquer maneira nom posa leyxo o dito carguo inteyro ao senhor Joham da Silva senhor da Chamusca e d’Ulme a que peço por mercee que ho tome e o cumpra por servyço de Deus e pera bem e descarguo de mynha alma asy e pella maneyra que ho leyxo e ordeno a meu irmão.
Outrosy leyxo tres fylhos meus machos e tres filhas femeas e o prymeyro dos filhos he frey Joham Sodre frade de Sam Francisco da observancia e a este pois escolheo a mylhor parte que he servyr a Deus leyxo mynha bemção e a de Deus em que acabe a seu santo servyço.
Francysco Sodre que he o segundo filho a este soo em solydo leyxo ho meu casall que he no regengo d’Alvyella e o outro meu casall no regemguo da Tojosa aas Baroquas d’Aradinha dos quaes elle soo aja as remdas e direitos e asy lhe leyxo mais a elle soo as mynhas casas que sam em Santarem ao pee da calçada de Guayam que fycaram de meus padres com seu quymtall d’arvores e laramgeyras e mais huum pardyeyro que hy comprey pera ajuntar com ho dyto quymtall os quays casays e casas e quymtall leyxo ao dyto meu filho Francysco Sodre pera elle e pera todolos que dele decenderem segundo aqui decrararey por condyçam de morguado pera nom se poderem vender nem emlhear nem partyr somente quero que elle ou seus sucessores possam trocar os dytos casays por outra cousa de rayz de ygual renda de paom quando lhes bem vier porquanto os dytos casays estam em reguenguo e sera a tall permudaçam pera bens do termo de Santarem fora de regenguo os quais bens que assym leyxo ao dito meu fylho por seu falecimento vyram ao seu filho mayor per idade que fycar delle e se nom tever fylho baraaoom venha entaom a fylha que delle fyquar mayor e se não tever fylho baraaoom nem fylha neste caso ho dyto morguado venha a Manuel Sodre meu fylho se for vyvo e se não for vyvo venha a seus fylhos e fylhas asy como aquy aponto e não tendo os dytos meus fylhos baarons nem leyxando desy fylhos nem fylhas neste caso quero e mando que o dyto morguado venha a qualquer parente meu mais cheguado que se chamar de mynha alcunha e apelydoo que he Sodre e desy em dyante aquelle ho herde e aja e seus fylhos e sucessores polo modo e maneyra que ouveram de herdar meus fylhos e aquy he decrarado.
Mando e ordeno que ho que ouver d’aver e erdar ho dyto morgado se chame sempre da dyta alcunha de Sodre e se não se chamar que ho perqua e o soçeda loguo outro parente mais chegado que se chamar.
Item mando e ordeno que asy meus filhos e decendentes que pera sempre sucederem e tyverem o dyto morguado mandem dyzer cad’ano por mynha alma e mynha memorya hua mysa cantada dento na Igreja de Santa Cruz de Santarem por dia de Santa Maria de Setembro e a todos e a cada hum rogo e emcomendo por mynha bençam que o cumpram asy e em caso que algum o não queira ou não possa cumpryr nem por isso quero que perca o dyto morguado mas que o tenha como se tudo cumprisse mas este encarguo he tam pequeno e a comfianca com que o leyxo tamanha que espero que isto e muito mais folgaram de faser por meu descarguo e asy roguo peço e encomendo a todos meus herdeiros e sucessores que das suas terças despois de pagadas as cousas necessarias e divididas sempre folguem d’acrescentar neste morguado algua cousa pera compensação e acrescentamento desta linhagem e memorya della qua nesta esperança lhe dey este começo tam pequeno qua lho nom pude dar nem leyxar outro mayor.
Manuel Sodre meu filho terceyro he tomado del Rey nosso senhor este desejo que aprenda no estudo e siga as letras se for pera ellas desposto e pera isso peço e asy o pedira meu testamenteyro a el Rey nosso senhor que pera isso lhe mande dar no estudo sua moradya e lhe faça mercee como a fylho de quem sempre viveu e morreu em seu servyço e aos dytos meus fylhos encomendo e mando per minha bençam que sempre sirvam bem e lealmente e sua alteza qua se o asy fizerem seguyndo sua alteza e alto pryncipe e de muyta grandeza nom lhes posso leyxar mais certa herança que leyxalos pegados e juntos as virtudes e bondades de tal rey.
E eu som alcayde mor de Tomar e da villa de Seaa por el Rey nosso senhor e isto ouve de sua alteza por satisfaçam de meus serviços que foram sempre taaees e com tamto amor que o galardaom delles nom devia d’acabar com mynha vyda e portanto peço a el Rey nosso senhor que a meus fylhos ou a hum deles como sua alteza mais quiser queyra fazer merce das dytas alcaidarias mores ou lhas reparta como ouver por seu servyço.
Item Ynes de Rezemdee e Lyanor Sodre mynhas fylhas que estam em Santa Crara de Santarem com mynha irmaã Crara Sodre quero e lhes encomendo e mando que sejam freyras da dyta ordem e syrvam nela a Deus porque nelle he todo o bem e descanso e emcomendo-as há dita mynha irmaã que olhe põe ellas como virtuosa e boaã irmaã que sempre foy minha.
Item a outra mynha fylha que se chama Ysabell Sodre que esta com mynha ama Isabel Vasquez quero e mando que tambem seja freyra e desejo mays no mosteyro de Jhesus d’Aveyro que em outro algum e pera yso peço a el Rey nosso senhor d asy peço a meu testamenteyro e amyguos que lho peçam poys nom me fyqua outra cousa com que as leyxe emparadas se nom meus servyços e o galardam delles que sua alteza queyra fazer que a tome no dyto mosteyro e nelle lhe dar algua esmolla com que se onestamente mantenha.
Item Cateryna Nunes (no original lê-se claramente Nunes e não Eanes como escreve quem publicou a leitura paleográfica deste testamento) may de meus fylhos fique com elles e a elles leyxo e emcomendo por mynha bençam que sempre lhe façam bem como he rezam se lho Deus e el Rey fizerem como espero.
Item mando que de mynha fazenda dem a dyta Ysabel Vaz minha ama dez myl reis e a sua fylha Vyolante deem seys myl reys em dynheyro e duas camas de roupa dessa comum que ha em mynha casa e mays lhe leyxo as mynhas casynhas que comprey e estam junto com as casas d’Anrique de Sousa e esto pera seu casamento pelo serviço que ambas me fyzeram.
A Marya Fernandez minha cryada pello serviço que me fez leyxo seis mill reis e a Joham de Tramquoso por seu serviço tres mill reis e a Diogo Carvalho que he casado em Pernez por serviço que me fez seis mill reis e a Amryque Diaz morador em Vylla Framqua termo de Lynhares por serviço que me fez leyxo quatro mill reis.
Lopo d’Almeyda meu page quero que aja ho meu cavallo fouveyro e peço a el Rey nosso senhor que ho tome.
A Luis d’Almeida seu yrmão meu page leyxo ho cavallo pequeno murzello e peço a Sua Alteza que os queyra tomar por seus escudeyros porque são bons e de bom a lynhagem.
A Alvaro de Bayros por serviço que me fez leyxo oyto mill reis e a Diogo Anryquez por serviço quatro mill reis.
Joham de Tomar meu escravo fyque com Francisco Sodre meu filho damdo-lhe por sy outro espravo de doze ate dezaseis anos quero e mamdo que seja ho dito Joham Tomar foro e Margaryda mynha escrava fique tambem ao dito meu filho Francisco Sodre pera ho curar e servyr e Pero d’Evora meu espravo fyque a Manuell Sodre meu filho pera ho servir e o meu cavallo grande e hua azemalla a mylhor fiqye a meu filho Francisco Sodre pera se servyr dellas na Corte e omde lhe compryr. Item a cada hua das mynhas fylhas que estam em Samta Crara mamdo que dem trymta myll reis pera suas necesidades os quaees sejam emtreguees a dita mynha irmã como a sua curador pera fazer delles ho que vyr que lhes mylhor vem e mais leyxo a ambas as ditas mynhas filhas hua boõa cama de roupa liympa scilicet colchões e cocedra e cobertores e boons lemçoees e travyceyro e almofada (…) mylhor que ouver em mynha casa. Item todas mynhas armas de quallquer sorte e calydade que forem leyxo somente a meus filhos pera que ambos as partam irmaãmente e os meus vestydos que fyquam mamdo qe se vendam pera paguamento destas cousas que aquy leyxo ordenadas e se alguum de meus cryados quyser alguas peças delles dem-lhas em descomto do que a cada huum aquy leyxo por aquelles preços que forem rezoados e dem a meus filhos a mynha cama compryda com esparanell e alguas arquas que lhe comprirem pera guarda de suas cousas e todo outro movell e cousas se vendam pera paguamento destas cousas.
Devo a mynha irmã Crara Sodre alguum dinheiro que lhe sera paguo segundo se achara per meu escrito ou ella dyxer per sua verdade e comciemcia e a meu irmão Amtam Sodre tambem devo dinheiro elle ho tome de mynha fazenda se nom mostre meu asinado.
Devo aos erdeyros de Latam myll reis de pano que lhe tomey e tem meu asynado e devo a Abram Bracar de Lyxboa myll e setemta reis de que tem meu asynado e devo nas moradyas aos trantadores algum dinheiro do quall peçoo a el Rey Nosso Senhor que me faça merce e se ho nam fizer veja-se ho que dano e pague-se de mynha fazemda.
E a Jeronymo meu azemell devo de suas soldadas algum dinheiro e do tempo que me servyo e do que lhe tenho dado se achara certidam por esprito na mynha bueta que aquy traguo comygo de que tem carguo Lopo d’Almeyda veja-se todo bem e o que lhe dever paguem-lho inteyramente.
Duarte filho de Joham da Sertam fyque com Francisco Sodre meu filho ao quall emcomendo por mynha bençam que lhe faça bem.
E pera pagamento destas dyvydas e leguados leyxo a mynha prata que tenho de que tem carguo Lopo d’Almeyda e asy das outras cousas que traguo comyguo e a dyta prata he esta .scilicet. hum bacyo d’agoar as mãos dourado que pesa seis marcos e duas allbaradas que pesam ambas cimquo marcos e duas taças pycadas e douradas que pezam ambas cimquo marcos e duas escudellas que pesam ambas dous marcos e hum saleyro de hum marco e meio e nove collares de prata e hum copo que pesa hum marco.
Item leyxo as mynhas remdas do anno que se começou no Sam Joham do anno pasado de novemta e cymquo annos e se acabara no Sam Joham deste anno de noventa e seis de que alguas paguas se am-de fazer por comdiçam d’arendamento pera ho Aguosto do dyto anno de que se acharam as escreturas e arrendamentos dyso em hua mynha bueta que he em poder da dyta Ysabell Vasquez mynha ama e o que destas remdas hos remdeyros mostrarem per meus asynados que me paguaram levem-lhe em comta e o mais paguem segumdo sam obryguados e asy a dyta mynha ama dará comta de pam e vynho e roupa e de todallas outras cousas de mynha casa de que tem carguo e tudo fycara em sua verdade e comcyemcya porque ella he tall e o foy sempre que em tudo dyra e fara verdade.
Item Ysaque Romdim judeu morador em Tomar me he obriguado em trymta e tamtos myll reis de huas cavalarias que se obrigou a recadar por mym per hua escretura dos quaes a nos tem entregue alguum dinheiro de que lhe dey conhecymento e este se lhe leve em comta e o outro pague e desta cousa sabe bem Christovom Rodriguez meu cryado que fyquara dysto por solycytador e as escreturas que nysto toquam se acharam na dita bueta que tem mynha ama.
Item fiquam as mynhas remdas de Sea que sam vymtoito mill e trezemtos reis de que nom ouve ate fyntura deste algum pagamento estes se arrecadem e as escreturas e arrendamento estam na dita bueta.
Bryatiz Afomso mynha caseyra de Santarém recebeo nove moyos de tryguo e de cevada pouquo mais ou menos e asy (…) alguas cousas de mynha casa de que acharão hua enmenta e roll na bueta que traguo comyguo da comta de tudo e o entregue.
Item Peralta carpynteyro de Tomar tem hum bacyo de prata que pesa dous marcos a penhor de dous mill e oitocentos reis tyrem-lho ou elle torne a demasya e todos sabem ysto.
Item tenho a mynha meã anada pagua que sam vymte e nove mill reis de que acharam a carta na mynha bueta que he em Tomar em poder de mynha ama e ey aymda de paguar a quarta parte per aforar hos meus beens de raiz de que paguos em começo dez cruzados d’ouro e os mais se eu falecer ante de os acabar de paguar paguem-nos meus erdeyros.
Item mamdo que me emterem no meu mamto bramco que eu sempre traguo comygo como a nosa regra hordena e mamda a quall cedulla na forma e maneira que vay eu roguey e pedy a Rui de Pyna cavaleyro da Casa d’el Rey Noso Senhor e seu escprivão das comfrymações (jura…) esprevese como espreveo peramte mym e de mynha palavra ao quall pedy que asynase aquy comyguo por mor firmesa feyta em Montemoor ho Novo a deradeyro dia de Fevereyro anno do nascimento de Nosso Senhor Jhesus Christo de j iiijc lRbj annos.
publicado por Eu às 21:02
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