Quinta-feira, 5 de Março de 2015

Cais do Sodré: dados históricos

A travessa do Corpo Santo em Lisboa apareceu em 1784, depois de Vicente Sodré ter mandado edificar por aquela zona alguns prédios, um deles, pelo menos, o da praça dos Remolares, com frente para o cais que ele custeou em parte e que dele recebeu o nome.

Um desses prédios da travessa, já edificado no princípio do terceiro quartel do século XVIII, pertencia a António Sodré Pereira Tibau, filho de Duarte Sodré Pereira e de D. Maria de Almeida. Aí, a 7 de Março de 1780, faleceu sua mulher D. Teresa Heliodora de Meneses e Cunha, filha de D. Pedro Álvares da Cunha e de D. Maria Teresa de Vilhena, com a qual casara a 22 de Junho de 1787 na paroquial de Santa Catarina, e aí, nas mesmas casas da travessa do Corpo Santo, faleceu o dito António Sodré Pereira Tibau, a 18 de Dezembro de 1785.

Os anteditos Duarte Sodré Pereira e, seu filho, António Sodré Pereira Tibau, foram senhores de Águas Belas. O principal prédio que pertenceu aos Sodrés é o que também tem frente para a rua e travessa dos Remolares e para o cais do Sodré.

Ainda em 1779 se designava como cais do Sodré, a praça que, em 1780, era conhecida por praça dos Remolares, e de 1781 a 1789 aparece denominada do Embarque. O nome de praça do Duque da Terceira foi-lhe dado por edital de 28 de Dezembro de 1889, quando oficialmente só era denominada praça dos Remolares e o nome de cais do Sodré havia muito se tinha fixado na artéria que liga o largo do Corpo Santo à citada praça.

Estas informações foram publicadas pelo conhecido especialista da história da Lisboa, Júlio de Castilho, em "A Ribeira de Lisboa" editada nos anos quarenta do século XX. Acrecentei pequenos detalhes.

 

publicado por Eu às 11:43
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Terça-feira, 11 de Março de 2014

Os meus Sodré Pereira

 

 

 

Ponto de situação após cerca de 30 anos de investigação familiar e entroncamento, com documentação segura, da minha linha de Sodrés Pereiras.

 

SODRÉS PEREIRAS

 

1

DUARTE HENRIQUES SODRÉ DE CASTRO

 

Irmão do anterior. Nascido a 18 de Novembro de 1993, no Hospital da Cruz Vermelha, foi registado como natural da freguesia de Oeiras e São Julião da Barra, Oeiras. Batizado na Igreja de Santo António de Nova Oeiras, a 21 de Julho de 2001. Licenciado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, em 2015, com 14,1 valores, e aluno do mestrado.

 

1

HUGO HENRIQUES SODRÉ DE CASTRO

 

Nascido a 09 de Outubro de 1986, na clínica do Restelo, foi registado como natural da freguesia de Santa Maria de Belém, Lisboa. Batizado na Igreja de Santo António de Nova Oeiras, a 13 de Junho de 1987.

 

2

SÉRGIO PAULO SODRÉ DE CASTRO GRAÇA

 

Nascido a 08 de Dezembro de 1955, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, clínica Cabral Sacadura. Batizado na Igreja de São João de Deus. Foi-lhe posto o nome de Sérgio da Costa Freire Graça, que os pais lhe mudaram para o acima referido, portaria de 19 de Abril de 1963. Aluno do Colégio Militar. Licenciou-se em Ciências Históricas pela Universidade Livre de Lisboa, em 1983, com 16 valores. Assistente estagiário do departamento de Ciências Históricas da Universidade Livre de 1983 a 1986. Pós-graduação em Sociologia do Sagrado e do Pensamento Religioso, em 1996, pela Universidade Nova de Lisboa. Funcionário público, Coordenador e Analista de Informações do Estado. Sócio do Instituto Português de Heráldica e da Academia Portuguesa de Ex-Líbris, publicou alguns trabalhos de investigação histórica, especialmente de Heráldica e Genealogia, na sua maioria sobre “Sodrés”. Aposentado a 01 de Dezembro de 2013.

A 10 de Fevereiro de 1985, teve alvará do Conselho de Nobreza, em que lhe foi reconhecido o direito ao uso do seguinte brasão de armas: esquartelado, I – Sodré, II e III – Pereira, IV – Camelo.

Casou com Maria do Rosário Aparício Henriques, em Oeiras, a 20 de Dezembro de 1982. Nascida a 15 de Junho de 1957, na freguesia de Arroios, Lisboa. Licenciada em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa. Professora do Ensino Secundário.

 

3

MARIA LUISA GOMES DA COSTA FREIRE

 

Nascida a 29 de Outubro de 1935, na freguesia da Pena, Lisboa. Filha única de segundo casamento. Não consta o apelido Sodré no seu bilhete de identidade, porque então a lei limitava os apelidos a três e a sua mãe recusou-se a abdicar de lhe passar o seu apelido Gomes.

Casou com Fábio de Castro Graça, na Igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos), a 07 de Outubro de 1954. Capitão de Mar-e-Guerra, da Armada, Engenheiro Eletrónico, pela Universidade de Monterrey, Califórnia, E.U.A. Nascido na freguesia de São Sebastião da Pedreira, Lisboa, a 15 de Agosto de 1932. Imediato do submarino “Neptuno” e, depois, em Moçambique, da fragata “Pereira D´Eça”, na qual serviu durante o bloqueio do porto da Beira pela esquadra inglesa, em 1966, na sequência de imposição se sanções pela ONU à Rodésia do Sul que declarara unilateralmente a independência no ano anterior.

 

4

JOSÉ SODRÉ DA COSTA FREIRE

 

Nascido a 28 de Maio de 1874, na freguesia de São Mamede, Lisboa. Batizado na Igreja de São Mamede, a 02 de Outubro de 1874. Chefe de Repartição da Companhia dos Tabacos, fez várias comissões em Lourenço Marques como diretor da companhia, logo após a Grande Guerra. Faleceu a 26 de Junho de 1961.

Divorciado, a 09 de Maio de 1944, casou civilmente com Caetana do Carmo Gomes, a 27 de Outubro de 1944, que conheceu em Moçambique, quando servia como enfermeira de guerra. Nascida em 1898, na freguesia da Vermelha, Cadaval. Falecida a 18 de Março de 1984.

 

5

MARIA PAULA SODRÉ PEREIRA DE LEMOS RANGEL

 

Nascida a 18 de Janeiro de 1846, na freguesia de São Quintino, Sobral de Monte Agraço. Batizada na igreja paroquial respetiva, a 8 de Fevereiro. Irmã de Francisco Sodré Pereira Cordeiro Camelo de Lemos Rangel, nascido a 28 de Julho de 1850, que teve foro de Fidalgo-Cavaleiro da Casa Real do Rei D. Carlos, a 23 de Dezembro de 1905.

Casou com Lucas Ventura da Costa Freire, a 18 de Janeiro de 1874, na Igreja de Arroios, Lisboa. Nascido, a 09 de Janeiro de 1844, em Lisboa. Empregado no comércio.

 

6

FRANCISCO DE PAULA SODRÉ PEREIRA DE LEMOS RANGEL

 

Nascido a 22 de Dezembro de 1806. Batizado em oratório privado, na freguesia de Santa Justa, Lisboa, a 11 de Janeiro de 1807. Aluno do Colégio Militar, com o nº 151, de 1819 a1820. A 12 de Junho de 1824, assenta praça como soldado (todos os pretendentes a cadetes o faziam) no regimento de cavalaria 1. Em 1827, como cabo, é porta-estandarte do regimento de cavalaria 10. A 06 de Setembro de 1833, durante a Guerra Civil, apresentou-se no Porto com 3 soldados armados e montados, passando para o lado liberal. Condecorado com a medalha de D. Maria e D. Pedro, algarismo 4. Em 1862, é 3º Oficial da Alfândega de Lisboa. A 07 de Junho de 1870, suplica o hábito da Torre e Espada (julgo que foi indeferido). Media 1,62 m.

Foi proprietário.

Viúvo, casou com Maria Libânia da Conceição, a 22 de Outubro de 1842.

 

7

FRANCISCO SODRÉ PEREIRA DE LEMOS RANGEL

 

Nascido, a 01 de Abril de 1779, na freguesia de São Sebastião, Ponta Delgada, Açores. Batizado na igreja matriz respetiva. Foi Secretário particular do Duque de Vitória, o General Arthur Wellesley, depois Duque de Wellington, Comandante-chefe das forças luso-britânicas na Guerra Peninsular (1807-1814). Simultaneamente, era agente do Ministro da Guerra, General Miguel Forjaz, e a sua correspondência é uma fonte importante daquele conflito das guerras napoleónicas.

Cavaleiro da Ordem de Cristo, a 26 de Julho de 1821. Alcaide-mor da vila de Fronteira, por alvará de 06 de Setembro de 1821. Comendador da ordem de Santiago de Almalaguez, na Ordem de Cristo, a 28 de Outubro de 1821.

A 25 de Dezembro de 1803, recebeu carta de brasão de armas: esquartelado, I – Sodré, II – Pereira, III – Cordeiro, IV – Camelo. Assim foi reconhecido como fidalgo de linhagem e de cota de armas.

Casou com Maria Luísa da Fonseca Pope, a 17 de Junho de 1805, na freguesia de Santa Justa, em Lisboa, em oratório privado. Um autor refere que faleceu a 16 de Dezembro de 1830 e o certo é que morreu antes do fim da guerra civil.

 

8

BENTO SODRÉ PEREIRA DE LEMOS RANGEL

 

Nascido no Rio de Janeiro, Brasil, talvez entre 1745-50. Batizado na igreja paroquial de Nossa Senhora da Candelária, no Rio de Janeiro. Cavaleiro da Ordem de Cristo, a 22 de Fevereiro de 1804. Sargento-mor das ordenanças da cidade de Ponta Delgada (equivalente a Major). A 27 de Setembro de 1821, foi promovido a Tenente-Coronel de milícias, agregado ao regimento de Ponta Delgada, Açores.

A 12 de Outubro de 1803, recebeu carta de brasão de armas: partido, I – Sodré, II – Pereira. Assim foi reconhecido como fidalgo de linhagem e de cota de armas.

Casou com Antónia Joaquina. Nascida, a 26 de Fevereiro de 1755, na freguesia de Ginetes, Ponta Delgada. Batizada na igreja matriz de São Sebastião, Ponta Delgada. Filha de Manuel de Sousa Cordeiro Camelo.

 

9

ISABEL NARCISA SODRÉ PEREIRA

 

Nascida na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, cerca de 1710-20.

Casou com Francisco Tavares França. Alferes de cavalaria do regimento de Minas. Filho do Capitão João de Sousa Cabral e de sua mulher Maria Tavares França.

 

10

ISABEL SODRÉ PEREIRA

 

Nascida na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, cerca de 1680-90. Filha única.

Casou com Agostinho de Lemos Rangel. Sargento-mor de milícias da cidade de Rio de Janeiro (equivalente a Major). Filho do Capitão e Licenciado Amador de Lemos Ferreira e de Isabel Rangel de Macedo, casados em 1674. Esta descendia de Julião Rangel de Macedo. Capitão no Rio de Janeiro em 1583. Filho de Damião Dias Rangel, que foi para o Brasil como Capitão nas guerras contra o gentio. Todos pertenciam aos Rangel de Macedo verdadeiros, que usavam o brasão dos Rangel.

 

11

DUARTE SODRÉ PEREIRA

 

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, cerca de 1650-60. Filho segundo. Teve foro de Moço-Fidalgo, a 03 de Janeiro de 1686, com 900 reis de moradia por mês e um alqueire de cevada por dia. Tal como era o foro de seu pai. No mesmo dia, alvarás de Moço-Fidalgo com as mesmas condições foram passados aos seus irmãos, Diogo Rangel de Sande, José Pereira Sodré e João Gomes da Silva.

Desconheço o nome de sua mulher.

 

12

FRANCISCO SODRÉ PEREIRA

 

Terá em Águas Belas, cerca de 1615-20. Estabeleceu-se na cidade do Rio de Janeiro, onde deixou numerosa descendência. Pode-se dizer que foi o patriarca dos Sodrés do Rio. Teve foro de Moço-Fidalgo. Coronel, comandante de um regimento no Rio de Janeiro. Fidalgo da Casa Real. Faleceu nesta cidade, a 13 de Dezembro de 1669.

Casou com Catarina da Silva Sandoval, a 27 de Abril de 1648, no Rio de Janeiro.

Irmão segundo de Fernão Sodré Pereira, que foi Fidalgo da Casa Real. 10º Senhor de Águas Belas. 1º Capitão-mor de Águas Belas, Ferreira do Zêzere e Vila de Rei.

 

13

DUARTE SODRÉ PEREIRA

 

9º Senhor de Águas Belas (Ferreira do Zêzere), de que tomou posse a 03 de Junho de 1608. Alcunhado de “O Estragado” devido à sua generosidade. Faleceu a 22 de Junho de 1635.

Casou com Guiomar de Sousa.

 

14

FERNÃO SODRÉ PEREIRA

 

Nasceu cerca de 1532-42. Prestou relevantes serviços no cerco de Mazagão, em 1562, nas armadas da costa do Algarve e na tomada do Pinhão, pelo que recebeu o hábito de Cristo, tornando-se Cavaleiro da Ordem de Cristo, a 02 de Agosto de 1565, com a condição de ir servir 6 meses, com cavalo à sua custa, em Tânger. Acompanhou o Rei D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578, ficando cativo. Aí morreram em combate o seu irmão Francisco Sodré e o seu sobrinho Duarte Sodré. Resgatou-se e voltou ao Reino. Comendador de Santiago de Lanhoso, na Ordem de Cristo, por mercê do Rei D. Filipe I, por carta de 06 de Maio de 1580. 8º Senhor de Águas Belas, de que tomou posse a 09 de Agosto de 1588.

Casou com Branca Caldeira, que faleceu a 18 de Dezembro de 1637.

 

15

DUARTE SODRÉ PEREIRA

 

Nasceu cerca de 1500-8. Alcançou sentença contra a Coroa, a 22 de Novembro de 1571, que julgou por nulo o foral que o Rei D. Manuel dera a Águas Belas e reconheceu as quintas de Águas Belas e Vale de Orjais como bens de morgado patrimonial não pertencendo à Coroa. Assim, entrou na posse do senhorio da vila e do seu termo, e do padroado da igreja, com todos os seus direitos e prerrogativas, por provisão do Rei D. Sebastião, a 17 de Dezembro de 1576 ou 1577. Faleceu a 09 de Agosto de 1588.

Casou com Dionísia de Sande.

 

SODRÉS

 

16

FRANCISCO SODRÉ

 

Nasceu cerca de 1475-85. Legitimado a 12 de Fevereiro de 1496 (Nessa data, seu pai, como Cavaleiro da Ordem de Cristo, não podia casar). No testamento de seu pai, de 1496, é nomeado administrador do morgado por este instituído nos arredores de Santarém. A 24 de Outubro de 1500, é nomeado Alcaide-mor de Seia, o que significa que era Cavaleiro da Ordem de Cristo, pois este castelo era da jurisdição desta ordem militar. Foi Moço-Fidalgo da Casa de D. Manuel. A 09 de Abril de 1508, partiu para a Índia na armada de Jorge Aguiar (morto na viagem), juntamente com seu único irmão ainda vivo, Manuel Sodré, embarcado na nau Santa Cruz de Duarte de Lemos depois capitão-mor desta armada. Em 1508, esteve na construção da primeira fortaleza da Ilha de Moçambique, quase só uma torre denominada forte de São Gabriel , e serviu na guarnição da fortaleza da Ilha de Socotorá. Juntamente com seu irmão, participou na segunda conquista de Goa, a 25 de Novembro de 1510, sob o comando do grande Afonso de Albuquerque, Capitão-Geral e Governador da Índia. Cavaleiro-Fidalgo da Casa do Rei D. João III com 1700 reis de renda. Morreu em serviço na Índia, entre 1539-1544.

Casou com Violante Pereira, filha de João Pereira 4º Senhor de Águas Belas, depois de 20 de Junho de 1496, pois nesta data o Papa autorizou os cavaleiros e os comendadores das ordens de Cristo e de Avis a casarem, o que anteriormente só era permitido aos de Santiago.

Seu irmão Manuel Sodré foi Anadel-mor dos besteiros e espingardeiros nas partes da Índia, por mercê do rei D. João III, a 18 de Fevereiro de 1528, e Cavaleiro-Fidalgo com 2000 reis de renda. A 02 de Janeiro de 1544, Manuel Sodré escreveu uma carta a D. João III relatando os seus feitos na Ìndia e solicitando a capitania de Cochim com as ilhas das Maldivas. Francisco Sodré decerto esteve na reconquista de Goa, como todos os fidalgos da armada de Duarte Lemos, mas a partir daí não se sabe se esteve sempre com o irmão, o qual, por exemplo, ficou como capitão dos besteiros e espingardeiros na guarnição que defendeu Goa dos ataques das tropas do Idalcão (Adil Xá, ou Khan, Sultão de Bijapur) , em vez de ir com Afonso de Albuquerque à conquista de Malaca, a 24 de Agosto de 1511.

 

17

DUARTE SODRÉ

 

Terá nascido em Santarém, cerca de 1434-38, pois os seus pais tinham aí casas que também ficaram vinculadas ao morgado que veio a constituir como refere no seu testamento. Em 1465, era Escudeiro da Casa do Infante D. Pedro (ex-Condestável do Reino e efémero Rei da Catalunha). Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador de Santa Ovaya do Juncal, antes de 1475. Vedor da Casa do Duque de Viseu, D. Diogo II. Vedor da Casa do Duque de Beja, futuro Rei D. Manuel, passando a Vedor da Casa Real quando este subiu ao trono. Por carta de 23 de Agosto de 1486, registada na Chancelaria do Rei D. João II, onde é designado como Cavaleiro da Casa Real, o Príncipe Perfeito autoriza-o a constituir um morgado nos reguengos de Tojoza e Alviela (termo de Santarém) com a obrigação dos sucessores seguirem o apelido Sodré. Recebeu do Rei D. João II, em Novembro de 1492, certos bens e herança no lugar de Romão, no almoxarifado da Guarda, tomados a três moradores locais. A 26 de Janeiro de 1493 já era Comendador e Alcaide-mor de Tomar (sede da Ordem de Cristo), sendo também Provedor das capelas do Infante D. Henrique (o Navegador) com 7 marcos de prata de ordenado. Comendador da Cardiga, em data posterior a 26 de Janeiro de 1493 (neste dia ainda pertencia a Heitor de Sousa), uma das mais importantes da Ordem de Cristo. Pelo menos desde 1494, foi Alcaide-mor de Seia. Fez testamento em Montemor-o-Novo, em 29 de Fevereiro de 1496. A 07 de Agosto de 1500, documento refere-o com Fidalgo régio. Faleceu a 25 de Agosto de 1500. Está sepultado junto ao altar-mor da Ermida de Nossa Senhora do Monte, em Santarém, tendo a sua lápide, epitáfio, escudo de armas pleno de Sodré, ladeado de espada e lança-pendão. Epitáfio “Aqui jaz o muito honrado Duarte Sodré que foi veador da caza D’ El Rey D. Manuel e alcaide mor das vilas de Tomar e Sea e comendador da cardiga o qual descende e vem da linhagem da caza do Sodrea que he caza de grandes senhores do Reyno de Inglaterra e finou-se aos 25 dias de Agosto de mil e quinhentos.” Segundo escreve o seu filho Manuel, terá morrido pobre devido à sua generosidade e, enquanto viveu, era muito valido junto do Rei e conhecido no reino. Os seus descendentes que foram Senhores de Águas Belas (Ferreira do Zêzere), e usavam o apelido Sodré Pereira, eram considerados os chefes do nome e armas de Sodré, até porque também detinham o morgado por ele instituído em 1486.

Teve geração legitimada de Catarina Nunes (os cavaleiros da Ordem de Cristo só puderam casar a partir de 20 de Junho de 1496).

 

18

INÊS SODRÉ

 

Terá nascido cerca de 1410-15. Residente em Santarém. Casada com Gil Pires de Resende, Contador régio na comarca dos almoxarifados de Santarém e Abrantes, em 1447, Vedor das obras régias de Almerim e Procurador régio.

 

19

JOÃO SODRÉ

 

Terá nascido cerca de 1385-95. Uma fonte fidedigna, mas posterior, indica-o como Fidalgo da Casa do Rei D. Afonso V e como avô de Duarte Sodré. Provavelmente seria o mesmo que antes esteve como Cavaleiro em Ceuta com o 1º Governador, D. Pedro de Meneses. Terá participado na sua conquista, a 21 de Agosto de 1415, porquanto servia naquela praça já antes dos cercos mouros, pelos Reis de Granada e de Fez, de 1418 e 1419.

 

PEREIRAS

 

16

VIOLANTE PEREIRA

 

Tia de João Pereira, 6º Senhor de Águas Belas, que era demente e morreu sem descendentes, pelo que a Coroa tomou posse do senhorio. Irmã de Rui Pereira, 5º Senhor de Águas Belas, que se distinguiu na tomada de Azamor, em 1513, no exército do Duque de Bragança.

Casou com Francisco Sodré e, quando este já era falecido, intentou uma acção judicial contra o procurador dos feitos da Coroa, porque, após a morte de João Pereira, o corregedor de Tomar a esbulhara da propriedade do morgado de Águas Belas, com base num foral do Rei D. Manuel que os Senhores de Águas Belas sempre contestaram. A Justiça acabou por lhe dar razão, mas apenas no tempo de seu filho Duarte Sodré Pereira, quando ela já era falecida, sendo Águas Belas considerada um morgado patrimonial, tirada a jurisdição, por sentença da Casa da Suplicação de 22 de Novembro de 1574

 

17

JOÃO PEREIRA

 

Legitimado a 27 de Abril de 1463. 4º Senhor de Águas Belas e Senhor do morgado da Palmeira. Fidalgo da Casa Real. Parece que, em 1490, recebeu a capitania da Ilha de São Tomé. A 19 de Março de 1491, obteve uma tença de 40.000 reais anuais. A 07 de Setembro de 1491, foi nomeado Vedor das tercenas reais e do armazém da cidade do Porto.

Casou com Isabel Ferreira.

 

18

GALIOTE PEREIRA

 

3º Senhor de Águas Belas, de Sousel e de Palmeira. Fidalgo da Casa Real, recebia, a 31 de Maio de 1441, 5.000 reais anuais. A 18 de Maio de 1447, foi feito Alcaide-mor de Castelo Mendo e dos lugares de Bouças, Covas e Póvoas de El-Rei. A 29 de Junho de 1450, recebeu a herança de Margarida Vicente, moradora em Portalegre e finada sem testamento. Alcaide-mor de Lisboa, nomeado entre 1450-54, e, a 01 de Janeiro de 1455, foi-lhe feita mercê dos direitos reais de Montemor-o-Novo e dos rendimentos das herdades de Lavre, respectiva alcaidaria e senhorio da vila com jurisdição, em compensação por ceder o posto de Alcaide-mor de Lisboa e de Couteiro das perdizes no termo da mesma cidade ao Conde de Monsanto. Em 1463, era membro do Conselho do Rei D. Afonso V, de quem também foi Camareiro.

Teve João Pereira de Inês Fernandes, solteira.

 

19

ÁLVARO PEREIRA

 

2º Senhor de Águas Belas, possuidor de vários reguengos em Melgaço. O seu tio, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, deu-lhe o senhorio de Alvaiázere, cerca de 1393, Sousel e as rendas do Lamegal, Borba e Vila Viçosa. A 21 de Agosto de 1415, participou na conquista de Ceuta, onde foi armado cavaleiro pelo Infante D. Henrique.

Casou com Inês Lourenço de Abreu ou com Isabel do Carvalhal.

 

20

RODRIGO ÁLVARES PEREIRA

 

Legitimado pelo Rei D. Pedro, a 26 de Agosto de 1357, a quem, a 06 de Setembro de 1356, Álvaro Fernandes, seu tutor, escudeiro do Infante D. Pedro, por carta de doação e morgado, deu as suas quintas de Vale de Orjaes e de Águas Belas (Ferreira do Zêzere) com todas as dependências, senhorio, couto, honra, jurisdição e padroado da igreja da Nossa Senhora desse lugar (então dependente de Sernache de Bonjardim). Assim, realizou-se a instituição do morgado de Águas Belas, confirmado pelo Rei D. Pedro, a 20 de Maio de 1361. Foi o 1º Senhor de Águas Belas, alcunhado o “Olhinhos”. A 14 de Dezembro de 1375, o Rei D. Fernando doou-lhe o senhorio das vilas de Sousel, Vila Nova, Vila Ruiva, e das azenhas de Anhalouro e de Bemlhequero no termo de Estremoz. Esteve entre os defensores de Lisboa durante o cerco dos Castelhanos, em 1384. No decurso do cerco que D. João, Mestre de Avis, fez a Torres Vedras foi feito prisioneiro, pelo que não esteve em Aljubarrota, mas foi libertado em Santarém, quando esta caiu para o Mestre. A 09 de Março de 1386, o Rei D. João I doou-lhe Vila Nova de Cerveira com seu termo, rendas, direitos, tributos, foros e jurisdição. Apesar disto, por razões desconhecidas, passou a Castela (em 1389 ou 1390) onde morreu, pelo que perdeu as mercês. Era meio-irmão do Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira.

Teve Álvaro de Maria Afonso do Casal.

 

21

ÁLVARO GONÇALVES PEREIRA

 

Entrou muito moço na Ordem Militar do Hospital cujos monges-cavaleiros o elegeram Prior, ao que parece logo que perfez 18 anos de idade. Primeiro Prior hospitalário a estabelecer-se no Crato, onde estes se fixaram à roda de 1335. A 30 de Outubro de 1340, comandou os hospitalários portugueses na batalha do Salado, última grande batalha da Reconquista. Esteve na tomada de Algoziras e foi valido e conselheiro do Rei D. Pedro de Castela. Pelo ano de 1350, ergueu o belo Castelo da Amieira. Em 1355, defendeu a cidade do Porto cercada pelo Infante D. Pedro, em rebelião contra o pai, o Rei D. Afonso IV, em virtude da morte de Inês de Castro. Mandou edificar o mosteiro no sítio da Flor da Rosa, no termo do Crato, cerca de 1356, que passou a ser a Casa-Mãe da Ordem. Morreu, em 1380, no Castelo de Amieira, e está sepultado no Mosteiro da Flor da Rosa em túmulo de mármore armoriado.

Teve Rodrigo de Iria Vicente.

 

22

GONÇALO GONÇALVES DE PEREIRA

 

Prior da Igreja de São Nicolau da Feira e Cónego de Tui, em 1296. Deão da Sé do Porto a partir de 1296, interveio ativamente na deposição do Bispo do Porto e do Arcebispo de Braga. Estudou em Salamanca. Em 1320, foi enviado pelo Rei D. Dinis à cúria pontifícia, em Avinhão, juntamente com o Almirante Manuel Pessanha, para solicitar auxílio financeiro na guerra contra os mouros. Em 1321 era Bispo de Évora. De 1322 a 1326 foi Bispo de Lisboa por nomeação do Papa João XXII, que depois o fez Arcebispo-Primaz de Braga, de 1326 até à sua morte em1348. Impediu a batalha de Loures entre o Rei D. Dinis e o Infante D. Afonso fazendo as pazes entre eles. Foi dos maiores senhores do seu tempo, e o Rei D. Dinis mandou-o como embaixador ao Rei D. Afonso “O Bom” de Castela para concertar as pazes entre os dois reinos, o que levou a cabo com êxito. Esteve entre os defensores do Porto contra o Rei D. Afonso XI de Castela e, pouco depois, acompanhou do Rei D. Afonso IV na grande batalha do Salado, a 30 de Outubro de 1340, contra os sarracenos. Parece ter sido um homem muito gordo. Jaz na Sé de Braga, em túmulo com estátua jacente que mandou fazer em 1334 na denominada capela da Glória.

Teve Álvaro de Teresa Peres Vilarinho.

 

23

GONÇALO PIRES DE PEREIRA

 

3º Senhor de Pereira. Devido à grandeza do seu estado, houve quem o designasse por Conde, mas não teve formalmente tal título. Grão-Comendador na Ordem do Hospital na Espanha. Documentado, a partir de 1268, em Castela, como Grão-Comendador nos cinco reinos de Espanha, manteve essas funções até, pelo menos, 1271. Entre 1280 e 1285 é referido como Comendador de Lima, Toronho, Tavara e Faia. Também foi Comendador de Panoias. Conta-se que um dia ofereceu 100 cavalos a parentes. Em 1284 testemunhou uma inquirição feita no âmbito da constituição da póvoa de Caminha.

Casou com Urraca Vasques Pimentel.

 

24

PEDRO RODRIGUES PEREIRA

 

2º Senhor da Quinta e Torre de Pereira, que acrescentou no tempo de D. Sancho I. Rico-Homem, Tenente (governador) de Trancoso e de Viseu, entre 1180 e 1183. Também terá tido bens em Froião. Em 1224, em aliança com o Bispo do Porto, D. Martinho Rodrigues, venceu a lide de Trasconho contra a hoste de Pedro Mendes, Senhor de Poiares, que aí morreu.

Casou com Estevainha Henriques. Casou segunda vez com Maria Pires de Gravel de quem teve o seguinte.

 

25

RODRIGO GONÇALVES PEREIRA

 

Progenitor dos Pereiras. Este apelido deriva da sua quinta, assim denominada, situada nas margens do Rio Ave na terra de Vermoim, onde ainda existiam ruínas da torre senhorial no princípio do século XX. Alcaide-mor do Castelo de Lanhoso. Viveu no último quartel do século XII e primeiro do XIII.

Teve Pedro do seu segundo casamento com Sancha Henriques Portocarrero.

 

26

GONÇALO RODRIGUES PALMEIRA

 

Mordomo-mor da Rainha D. Teresa, em 1114, tomou o partido de D. Afonso Henriques, apesar de ser primo direito do Conde D. Peres de Trava. Senhor das terras de Lanhoso, Basto, Refoios de Riba de Ave, Paiva, Baltar, e do Couto da Palmeira situado na terra de Vermoim. Tenente (governador) de Vermoim, em 1128, e de Penafiel de Bastuço, em 1146. Doou o Couto da Palmeira ao Mosteiro de Landim, por ele fundado, quando faleceu, em ano anterior a 1177.

Casou com D. Frolhe Afonso e depois com D. Urraca Viegas. De uma delas teve Rodrigo.

 

27

RODRIGO FORJAZ DE TRASTÂMARA

 

Pertencia à ilustre casa dos Condes de Trastâmara, tendo passado ao Condado Portucalense em finais do século XI. Irmão do chefe da linhagem, o Conde D. Pero Forjaz, Senhor de Trastâmara e de Trava, e aio de D. Afonso VII de Leão e Castela. Foi coevo do Conde D. Henrique e de D. Afonso Henriques. Parece que filho de Forjaz Vermuis (casado com Elvira Gonçalves de Vilalobos), e neto de Bermudo I Forjaz de Trastâmara (casado com Aldonça Rodrigues de Leão), que viveu pelo ano 1000.

Casou com D. Urraca Rodrigues de Castro, filha de D. Rodrigo Fernandes de Castro, “O Calvo”.

 

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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Brasão de Sodré em Livros de Armas oficiais do séc. XVI

 

LIVRO DO ARMEIRO-MOR, de João do Cró, Passavante Santarém, que o fez de 1506 e 1509.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LIVRO DA NOBREZA E PERFEIÇÃO DAS ARMAS, do Bacharel António Godinho, que o fez de 1521 e 1528.

 

Ambos são Armoriais oficiais mandados fazer pela Coroa Portuguesa com os brasões plenos que cabiam ao chefe da cada família nobres e seus descendentes.

 

Leitura Heráldica: De Azul, com chaveirão de prata, carregado de três estrelas de seis raios de vermelho, acompanhado de três albarradas de prata de duas asas.

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Domingo, 14 de Março de 2010

A fonte da identificação entre Sudley e Sodré

Nenhum documento com data anterior a 1675 foi até hoje encontrado em Portugal que identifique a família Sodré portuguesa com a família Sudley ou Sudeley inglesa. Todavia, sabe-se que a obra de William Dugdale era conhecida em Portugal no séc. XVIII e que foi usada para afirmar que os Sodré derivavam dos Sudley.  Se assim se construiu uma lenda familiar ou se essa era a verdade é algo que divide os investigadores, embora a tendência dominante aponte para a inexistência de provas suficientemente fortes para aceitar que os Sodré fossem Sudley.

Isto apesar de haver um casamento entre uma Sudley e um Boteler, e de o brasão dos Sodré ser idêntico ao de um ramo de Boteler, mas parece que não o mesmo que se cruzou com os Sudley, ao contrário daquilo que eu próprio cheguei a aventar há uns anos atrás.

  

 

 
 
 
 
SIR WILLIAM DUGDALE, THE BARONAGE OF ENGLAND, VOL 1, 1675
 
SUDLEY
 
At the time of the Conquerors Survey, HAROLD, son to RALPH Earl of Hereford, (who in King EDWARD the Confessors days 1042-66 suffered the Welsh to enter that city, and destroy it by fire 1055) being possessed of the Lordship of Bochenton in Berkshire; Wiche in Worcestershire; Celverdestoch and Derceton in Warwickshire; as also of Sudlege and Todintone in Glocestershire, had his chief seat at Sudlege; and afterwards obtaining Ewyas in Herefordshire, founded there a little priory for monks of S. Benedicis Order.
This HAROLD had two sons, viz. JOHN, Lord of Sudley; and ROBERT, who residing at Ewyas, assumed his firname from that place: and not only confirmed the grants of what his father had given to those monks, but added the church of Burnham thereto.
To which, JOHN succeeded RALPH DE SUDLEY, who in 12 HEN.2. (1166) certified the knights fees, then held of him, to be in number four. This RALPH founded the Priory of Erdbury in Warwickshire, within the precincts of this Lordship of Celverdestoch before mentioned (now vulgary called Chelveres Coton) for the health of his soul, as also of the souls of EMME his wife (daughter of WILLIAM DE BEAUCHAMP of Elmeley) OTWELL his son and heir, and the rest of his children; and gave to the Knights-Templars certain lands lying in Hardwick in com. War. which OTWELL in 4 RICH.1. (1193) paid for his relief twenty marks; and upon levying the scutage for the Kings redemption in 6 RICH.1. (1195) sixty shillings, but dying without issue, RALPH his brother became his heir, and in 10 RICH.1. (1199) gave three hundred marks to the King for livery of his lands: in which sum, sixty marks were included which had been imposed upon his brother OTWELL, as a fine for the defect of a soldier, whom he ought to have maintained in Normandy.
Which RALPH had issue RALPH, his son and heir, who in 6 HEN.3. (1222) paying an hundred pounds for his releif, had livery of his lands: and he BARTHOLOMEW, who was Sheriff of Herefordshire, and Governor of Hereford Castle for the last half of the fifty fourth year of HENRY The Third (1270), and again Sheriff for the fifty sixth year of that King (1272), and 2 EDW.1. (1274) but died in 8 EDW.1. (1280) leaving issue by JOANE his wife, daughter to WILLIAM DE BEAUCHAMP of Elmeley (and sister to WILLIAM DE BEAUCHAMP, the first Earl of Warwick of that family) JOHN, his son and heir, then twenty four years of age. Which JOANE being afterwards interred in the Priory of Erdbury; WALTER LANGTON, Bishop of Conventry and Leitchfield, in 13 EDW.2. (1320) granted a special indulgence for remitting forty days, enjoyned pennance to all such as with a devout mind should say a Pater Noster, and an Ave, for the health of her soul, and the souls of all the faithful deceased.
In 15 EDW.1. (1287) this last mencioned JOHN DE SUDLEY obtained the Kings special license to travel beyond sea: and in 22 EDW.1. (1294) attended the King into Gascoigne; so likewise in 25 EDW.1.
In 26 EDW.1. (1298) he received summons (amongst other the great Men of England) to be at Carlisle on Whitson-Eve, well fitted with horse and arms, to march into Scotland.
In 32 EDW.1. (1304) he was in that expedition then made into Scotland: and in 33 EDW.1. (1305) in consideration of his good services, had pardon for all the debts he owed to the King.
In 34 EDW.1. (1306) he was again in the Scottish Wars, being at that time Lord Chamberlain to the King; and in 8 EDW.2. (1315) received command to be at Newcastle upon Tine, upon the feast day of the Blessed Virgin, well accoutred with horse and arms, to oppose the incursion of the Scots.
This JOHN had summons to Parliament from 28 EDW.1. (1300) until 13 EDW.2. (1320) inclusive.
But more I have not seen of him, then that he married… daughter of… Lord Say, and that he was a liberal benefactor to the canons of Erdbury, by granting to them certain lands and pasturage for cattle, in Derset, Radway, and Chelverscote, in Com. War. and dying without issue, in 10 EDW.3. (1337) left JOHN, the son of BARTHOLOMEW DE SUDLEY his next heir, then thirty years of age, who married ELEANOR, the daughter of ROBERT Lord Scales: and departing this life in 14 EDW.3. (1341) left issue JOHN, his son and heir, then one year old, and two daughters, viz. JOANE, who became the wife of WILLIAM LE BOTELER of Wemme in Com. Salop. and MARGERY of Sir ROBERT MASSEY knight. Which last mentioned JOHN, being in the Kings service in Ireland, in 35 EDW.3. (1362) had respite for doing his homage; and in 40 EDW.3. (1367) attended Prince EDWARD in that expedition then by him made into Gascoigne; but died the next ensuing year without issue: Whereupon THOMAS BOTELER, son of the said WILLIAM BOTELER, and JOANE his elder sister; and MARGERY the other sister, became his heirs. Betwixt whom, partition of all the lands, wereof he was seised, being made in 42 EDW.3. (1369) the said THOMAS had the Mannor of Sudley in Com. Gloc. And the moity of the Mannor of Sheriff-Lench in Com. Wigorn. Together with the advowsons and knights fees to those Lordships appertaining, assigned for his purparty: and she the said MARGERY, the Mannors of Cheping-Derset and Grive in Com. Warr. with the other moity of the Mannor of Sheriff-Lench for her purpaty.
 
Pg 428-9.
 
BOTELER of WERINGTON
 
Of this name of BOTELER, I come now to another family of note (some of them being barons of this Realm, as I shall shew anon) the first of which being called ROBERT, assumed the same by reason of his office, in regard he was botler to RANULPH DE GERNONS Earl of Chester; as appeareth by the words of his charter, whereby he founded an abby for monks of the Cistercian Order, at Pultime, in Com. Cestr. in anno 1158 (4 H.2.) which abby was afterwards translated to Delacres in Com. Staff.
Wich ROBERT had issue ROBERT. But from him I have seen no more, till King JOHN’s time (1199-1216), that WILLIAM LE BUTILLER was certified to hold eight knights fees in Com. Lanc. in capite of the King.
To which WILLIAM, succeeded another WILLIAM; who, in 43 H.3. (1259) was constituted Sheriff of the County of Lancaster, and Governour of the castle there. This WILLIAM, taking part with the rebellious barons of that age, made his peace in September, 49 H.3. (1265) (which was soon after the victory at Evesham). Whereupon the Sheriff of Lancashire had command to restore his lands unto him, which had been seised for that transgression. And, in 5 E.1. (1277) obtain’d the King’s charter for a market on the Friday every week, at his Mannor of Werington, in Com. Lanc. as also for a fair yearly, on the Eve Day, and Morrow after the feast of St. Andrew, and five days ensuing.
Moreover, in 13 E.1. (1285) he obtain’d another grant for the change of that market there to the Wednesday; and to another fair, to continue eight days, beginning on the Eve of St. Thomas the Martyr’s translation.
In 22 E.1. (1294) this WILLIAM, upon summons of divers great men, to attend the King in June, to advise concerning the important affairs of the State, was one of that number; and thereupon had command to repair to Portsmouth, upon the first of September following, well fitted with horse and arms, thence to sail with him into Gascoine. Furthermore, in 23, 24, and 25 E.1. (1297) he had summons to Parliament, amongst the barons of this Realm: and in 34 E.1. (1306) was in that expedition then made into Scotland.
To whom succeeded JOHN LE BOTELER. Which JOHN had the like summons to Parliament in 14 E.2. (1321)
In 44 E.3. (1371) I find another Sir JOHN BOTELER of Werington knight, who was in that expedition then made to Gascoine; and of the retinue to JOHN Duke of Lancaster. But farther than this, in regard they never had any more summons to Parliament, and consequently stood not in the degree of barons of this Realm, I shall not say.
 
Pg. 653-654.     
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Sábado, 30 de Janeiro de 2010

Fontes de Soudoyer - Souder

 

Définition du Littré : Soudoyer
Nature : v. a.
Prononciation : sou-do-ié ; plusieurs prononcent sou-doi
Etymologie : Solde. Il y avait un substantif très usité, sodoier, qui a donné l'anglais soldier, soldat.
 
Voir les citations du mot Soudoyer
Signification du mot Soudoyer
 
Avoir, prendre des gens de guerre à sa solde.
Par extension, s'assurer à prix d'argent le secours de. Soudoyer des spadassins, des agents.
 
 
Merrian – Webster’s Collegiate Dictionary, 11 th Edition (2003)
Soldier, noun, Etimology: Middle English Soudeour, from Anglo-French Soudeer, Soudeour mercenary, from Soudee shilling’s worth, wage, from Sou, Soud shilling, from late Latin Solidus Date: 14 th century.
 
 
Oxford English Reference Dictionary
Soldier, Etimology: Middle English Souder etc. from Old French Soudier, Soldier, from Soulde soldier’s pay.
 
 
Webster’s Revised Unabridged Dictionary (1913)
Soldier… Old English Souldier, Soudiour, Souder...Old French Soldier, Soldoier, Soldeier, Sodoier, Soudoier, Soudier,
 
 
Será esta a origem da alcunha tornada apelido Sodré ?
Seria o primeiro Sodré um chefe de guerreiros mercenários ingleses que ajudam Portugal nas lutas contra Castela a partir do tempo de D. Fernando ?
 
 
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Reavaliação do Nome e Armas de Sodré

 

 
 
Por
Sérgio Sodré de Castro
 
 
Tradicionalmente, há cinco séculos que se consideram os Sodré uma família de origem inglesa cujas armas são: De azul, com chaveirão de prata, carregado de três estrelas de seis raios de vermelho, acompanhado de três albarradas de prata de duas asas. Timbre: uma das albarradas do escudo. Deste modo estão registadas no Livro da Nobreza e Perfeição das Armas, do bacharel António Godinho, feito entre 1521-28. Outro tanto, mas sem o timbre, está debuxado no mais antigo Livro do Armeiro-Mor, de João do Cró, passavante Santarém, feito entre 1506-09. Antes, no brasão da laje tumular de Duarte Sodré, falecido no ano de 1500, foram colocados gomis de uma asa ao invés das albarradas, e por isso talvez fossem aquelas as figuras primevas, que acabaram para sempre substituídas por estas por força da uniformização da estilização imposta pelos armoriais oficiais de Cró e de Godinho.
Através de armoriais medievais ingleses comprova-se que um tal William Boteler de Kirkland usava armas praticamente iguais às dos Sodrés, as quais estão desenhados no Ballard Book ou Ballard Roll (colectânea de antigos armoriais compilada entre 1465-90). Apenas as copas são tampadas e desprovidas de asas, e o metal é o ouro em vez da prata, o resto é igual. Todavia, em outros ramos de Boteler ou Butler, de diversas épocas, ocorrem albarradas e gomis de prata semelhantes aos dos Sodrés portugueses.
Esta similaridade heráldica, conjugada com genealogias manuscritas do séc. XVIII que afirmavam existir memórias antigas que derivavam os Sodré portugueses dos Sudley (ou Sudeley) ingleses; a alusão a grandes senhores do Reino de Inglaterra na campa de Duarte Sodré; o casamento entre uma Sudley e um Boteler na 1ª metade do séc. XIV; e ainda vários indícios menores pareciam sugerir que, efectivamente, Sodré era o aportuguesamento do apelido inglês Sudley, um topónimo, tendo cá entrado algures no contexto iniciado com o tratado anglo-luso de Tagilde assinado a 10 de Julho de 1372. Algum inglês passara a Portugal e mantivera o apelido Sudley, transformado em Sodré, mas ostentava as armas Boteler devido a descender do cruzamento das duas famílias.
Realmente, documentação inglesa de fiabilidade segura demonstra que William Boteler de Wemme casou com Joane Sudley após 1341 (ano da morte do pai de Joane) e os seus descendentes de apelido Boteler foram, por algumas décadas, Senhores de Sudley. Assim, Os dados disponíveis corroborariam a leitura proposta para a filiação em exame. Contudo, a 12 de Abril de 2009, numa consulta na internet à história do castelo de Sudeley, apercebi-me de que, à época em que os Boteler eram Senhores de Sudley, as armas que usavam eram tão-só as mais comuns dos de Wemme: de vermelho, uma faixa xadrezada de prata e negro, de 2 peças em pala e 6 em faixa, acompanhadas de seis cruzes potenteias de ouro, três em chefe e três em ponta. Outros Butler do ramo de Wemme ostentavam cruzes de outro tipo, ou do mesmo em maior número, e faixas xadrezadas com escaques também em quantidade variável, mas os escudos pouco mais variavam.
Destarte, tornou-se quase uma certeza que o William Boteler de Kirkland detentor de armas muito semelhantes às dos Sodrés, ou mesmo outra personagem do seu ramo, dificilmente teria conexão com os Boteler de Wemme que se ligaram aos Sudley. As consequências imediatas a tirar, julgo eu, são as de que, conquanto ainda seja admissível a hipótese do brasão dos Sodré emergir do de um ramo Boteler ou Butler ela perdeu muita força e, principalmente, a agregação Sodré-Sudley-Boteler num todo coeso, que permitisse explicar a origem do nome e armas de Sodré, perdeu a consistência que a Heráldica lhe aparentava conferir, a qual admiti como hipótese presumivelmente verdadeira até à sobredita consulta na internet de 2009 em que finalmente vi algo em que, noutras ocasiões, até poderei ter pousado os olhos sem ver…
Será agora de tentar perceber como surgiu a lenda Sodré-Sudley em genealogias manuscritas do séc. XVIII. Sabe-se de fonte segura que ela se iniciou no ramo dos Sodrés de Santarém, igualmente Senhores de Águas Belas, em Ferreira do Zêzere, herdeiros do morgado instituído pelo futuro Alcaide-mor de Tomar, Duarte Sodré, nos reguengos de Tojoza e Alviela, após mercê do Rei D. João II datada de 23 de Agosto de 1486. Esses descendentes estavam bem familiarizados com o testemunho no epitáfio da laje tumular do seu primeiro avô, na ermida de Nossa Senhora do Monte, asseverando “que descende e vem da linhagem da caza do Sodrea que he caza de grandes senhores do Reyno de Inglaterra”, porém, o mais provável é que desconhecessem que “grandes senhores” seriam esses. Com o incremento da produção de genealogias manuscritas nos séc. XVII e XVIII foram questionados sobre os seus ancestrais e buscaram respostas em livros ingleses chegando aos Sudley como a família que melhor se adequava a esse papel. Só não é possível perceber qual o grau de convicção com que o fizeram.
O facto é que o genealogista Monterroio, em 1743, escreve que “Frederico Sudley estabeleceu-se em Portugal onde casou e foi progenitor da família que escrevemos, como asseguram as memórias que vimos dos Sodrés de Santarém” e a isso junta “e depois os livros dos Reys de Armas de Inglaterra e de tudo formamos este Tratado”. Algumas décadas antes, sem que se conheça o ano certo, já o genealogista Peixoto escrevera “Federico Sudley que passou a Portugal com o Conde de Cambridge… Estabeleceu-se em Portugal onde casou e foi progenitor desta família de Sodrés, de que escrevemos como alegaram as memórias que vimos dos Sodrés de Santarém”. Temos uma frase idêntica que parece indicar que Monterroio se limitou a copiar Peixoto e talvez nem tenha consultado as referidas memórias familiares. Posteriormente, Manso de Lima tudo sintetizou no vasto trabalho “Famílias de Portugal”.
Decerto, a obra de Sir William Dugdale, Rei de Armas Norroy, “The Baronage of England”, publicada em 1675, era já bem conhecida dos nossos genealogistas que apenas tiveram que criar um único elo de ligação. Para tanto recorreram a um dos Sodré mais antigos, indubitavelmente documentado, Fernão Sodré, dando-lhe como pai um inexistente Frederico Sudley (o nome próprio até é estranho à Inglaterra do séc. XIV) e dizendo que Fernão começou por ser designado por Mossem Fernão Sudley e “foi chamado em português com pequena corrupção Fernão Sodré”.
Outrossim, e em hipótese alternativa, é bem possível que esse elo de ligação (Frederico) tenha sido criado pelos próprios Sodré de Santarém e de Águas Belas, como antes se aventou, na transição do séc. XVII para o XVIII, quando já estava bem interiorizada a crença na sua suposta ascendência de uma relevante família inglesa e eles mesmos já usufruíam de elevado estatuto social em Portugal. Então, viveram figuras como José Sodré Pereira, Senhor de Águas Belas, Capitão-mor de Águas Belas, Ferreira do Zêzere e Vila de Rei (1658) membro do Conselho do Rei D. Pedro II, Governador e Capitão-mor da Ilha de São Miguel (1677), Governador e Capitão-General das ilhas de São Tomé (1694), e o seu filho Duarte Sodré Pereira, membro do Conselho do Rei D. Pedro II (1704), Senhor de Águas Belas (1727), Governador e Capitão-General da Ilha da Madeira (1703) e mais tarde de Pernambuco (1727), Governador e Capitão de Mazagão (1719), ou ainda António Sodré Pereira, Capitão de Goa, Damão e Diu (1750), entre outras personagens aparentadas…, que dificilmente duvidavam das raízes ilustres dos antepassados do avoengo fundador do seu ramo de Sodré, o Alcaide-mor e Comendador Duarte Sodré, ainda para mais cinzeladas na sua pedra secular da laje tumular, onde apenas faltava identificar a família inglesa, porquanto não se encontrava nenhuma “caza do Sodrea” em livros ingleses.
Deste modo, é de aceitar que a ideia de que o primeiro Sodré era um Sudley inglês fixado em Portugal na segunda metade do séc. XIV somente surgiu nos finais do séc. XVII, porventura só com o acesso à sobredita obra de William Dugdale de 1675. A tradição da raiz inglesa já passara por outras explicações, mormente por transmissão oral dos descendentes de Vasco Gil Sodré, um dos primeiros povoadores de Ilha Graciosa nos Açores (talvez entre 1465 e 1480), a Gaspar Frutuoso que, por isso, nas “Saudades da Terra”, nos finais do séc. XVI, atribui a naturalidade inglesa à mulher daquele povoador, alegadamente uma Breatis Gonçalves (note-se o patronímico português) nascida no castelo de Bectaforte, que mais tarde outros autores mudam em Brasefortes e em Bedford. Frutuoso refere ainda que um filho de Vasco, Diogo Vaz Sodré, veio ao continente buscar testemunho da sua ascendência inglesa ligada ao suposto castelo de Bectaforte, no intuito de provar como era grande fidalgo, e terá mesmo obtido uma carta de brasão de armas de Sodré, a 21 de Março de 1503, hoje perdida, mas cuja existência é testemunhada, em 1569, pelo tabelião André Furtado de Mendonça que a viu. Este atestou ainda que Diogo declarava requerer as armas de seus avós que por direito lhe pertenciam da Casa dos Sodrés de Inglaterra, ou seja, recorreu aos mesmos termos do epitáfio de Duarte Sodré em Santarém, excepto na alusão a estes serem “grandes senhores” e a usar o plural “Casa dos Sodrés” ao invés de “Casa do Sodré”.
Conquanto a pretensa ligação a Bectaforte aparente uma falta de solidez semelhante à suposta ligação a Sudley e configure uma história diferente e alternativa para a dita origem inglesa dos Sodré, os genealogistas posteriores a Frutuoso não resistiram a entrelaçar Sudley e Bectaforte mediante casamentos. Todavia, fica-se com a ideia de que nem Vasco Gil Sodré nem os seus filhos alguma vez terão pensado nos Sudley como seus ascendentes, senão isso dificilmente deixaria de ser registado por Frutuoso no séc. XVI. O silêncio reforça a hipótese de essa ser uma interpretação do último quartel do séc. XVII.
Outra questão é a de tentar perceber por que motivo Diogo Vaz Sodré teria reivindicado descender da Casa dos Sodrés de Inglaterra, tal como acontece com os descendentes imediatos de Duarte Sodré que outro tanto mandaram esculpir na laje sepulcral deste. Julgo que só haverá duas hipóteses: ou se aceita como verdadeira a história relativa a Diogo Vaz Sodré, tal como ela é contada pelo tabelião Mendonça uma décadas mais tarde, ou se recusa dar-lhe crédito na ausência de provas mais concretas.
No primeiro caso, dada a proximidade entre a data da carta de armas de Diogo, a data da morte de Duarte Sodré e a presumível feitura da laje, fica-se com uma forte impressão de que pelo menos alguns Sodrés, ainda na segunda metade do séc. XV, estavam convictos da proveniência inglesa da sua família e das suas armas, inclusive partilhando essa crença em conversas entre si. No segundo caso, reconhecemos que o único testemunho confirmado, por enquanto, da alegada Casa dos Sodrés de Inglaterra é o gravado na laje e podemos especular no sentido de que isso apenas terá sido inventado depois da morte de Duarte Sodré, decerto na primeira metade do séc. XVI, para engrandecer e dar antiguidade às raízes da linhagem por ele iniciada, ao ser o fundador do morgado que impunha para todo o sempre o uso das armas e do apelido Sodré ao seu titular. Este, assim, evitava reconhecer a eventual génese modesta da família e da respectiva alcunha (como veremos que Duarte parece assumir) e facilitava a inserção e a promoção social dos novos fidalgos empenhados na missão que Duarte lhes confiara no seu testamento “folguem d’acrescentar neste morguado algua cousa pera compensação e acrescentamento desta linhagem e memorya della qua nesta esperança lhe dey este começo tam pequeno qua lho nom pude dar nem leyxar outro mayor”.
Contudo, de fora desta leitura, e por explicar, fica o facto do brasão dos Sodré evidenciar uma manifesta influência da heráldica inglesa. Eu diria mesmo que é o típico brasão inglês no seu melhor, com o chaveirão carregado de três figuras a acompanhado por outras três, composição estranha ao costume português de então. Conforme já alegámos, é muito similar ao de um ramo dos Boteler ou Butler e é possível, caso fossem realmente de origem inglesa, que o primeiro em Portugal fosse um Butler que cá ficou conhecido por uma alcunha que se perpetuou na descendência. Outra possibilidade é a do primeiro ser um português que copiou ou se inspirou nos escudos e bandeiras dos nossos aliados presentes nas guerras do séc. XIV contra Castela, assumindo armas novas para si, ou, em alternativa, terem-lhe as armas sido ordenadas daquele modo por acção de um oficial de armas inglês então em funções no nosso país (e alguns conhecem-se), e isso pode indiciar uma sua relação com o cargo de copeiro.
Não se sabe, porém é de lembrar que se viveram tempos de anarquia heráldica. Escreve Fernão Lopes que na batalha de Aljubarrota participaram cerca de duzentos ingleses, entre frecheiros e homens de armas “E assim tanto a vanguarda quanto as alas estavam semeadas de bandeiras e pendões a gosto de cada um, que não havia então rei de armas, nem outro arauto que impedisse ninguém de usar bandeiras à sua vontade”. E quem diz bandeiras diz brasões livremente adoptados que, alguns, perduraram nos seus descendentes.
O que é de dar como praticamente certo é que Duarte Sodré herdou a armas pelo avô materno, pai da sua mãe Inês Sodré, sendo estas, no mínimo, da segunda metade do séc. XIV, e não foi ele o primeiro a tomá-las nem as recebeu por carta de armas. Senão, estariam registadas em seu nome no Livro de Armeiro-mor, debuxado entre 1506-09, pelo passavante Santarém, João do Cró, que o terá conhecido muito bem, além de que Duarte não deixaria de assinalar esta mercê no seu testamento, como faz com outras, se ela tivesse ocorrido…
Especificamente para a denominação de Sodré, sabe-se que a origem das alcunhas é muito remota em Portugal, pelo menos desde a génese da nacionalidade, e que, quando começam a ser fixados e transmitidos os autênticos apelidos, e não meros patronímicos, pelo séc. XIII, muitas delas passaram a sê-lo e outras até substituíram, em algumas pessoas, os apelidos originais. Assim, houve famílias do mesmo sangue em que o mesmo apelido não era partilhado por todos os membros, enquanto noutras as alcunhas eram transmitidas aos seus membros sem que se transformassem em apelidos. Ainda hoje, no nosso mundo rural, há indivíduos aparentados que, por isso mesmo, são todos conhecidos localmente pela mesma alcunha embora tenham apelidos diferentes na sua documentação.
Ora, Duarte Sodré, no seu testamento, de 29 de Fevereiro de 1496, feito em Montemor-o-Novo, por Rui de Pina, expressamente declara “de mynha alcunha e apelydoo que he Sodre” e logo depois “se chame sempre da dyta alcunha de Sodre”, ao mandar que os seus sucessores mantenham o uso do seu sobrenome Sodré para a posteridade, pelo menos os que forem cabeça da linhagem do morgado por ele fundado. Claro que Duarte Sodré sabia que o seu sobrenome já lhe vinha, pelo menos, desde o seu bisavô, pois ainda hoje se conhecem indivíduos de duas gerações anteriores (a da sua mãe, Inês; e a de João e Fernão; o que implica uma terceira, a do bisavô desconhecido, possivelmente de nome João). Todavia, é perfeitamente de admitir que ainda soubesse que Sodré era um apelido derivado de uma alcunha e por isso utilizou esta expressão no testamento. Mas é evidente que também não se pode descartar liminarmente que Duarte tão-só estivesse a ser redundante, empregando o termo alcunha como mero sinónimo de apelido…
Voltando ao Fernão Sodré mencionado pelos genealogistas dos séc. XVII e XVII como Sudley e filho de um Sudley, há documentação comprovativa de que era escudeiro de D. João I, em 1414, com 200 libras de moradia, e foi escrivão da alfândega de Lisboa pelo menos desde 1426 até uma data situada entre 1434-37, quando foi afastado do cargo e, momentaneamente, preso e privado de todos os bens, tendo sido libertado e recuperado a maior parte do seu património por mercê do Rei D. Duarte. A documentação deste caso está amplamente publicada, mas falta imprimir textos que permitem seguir o trajecto de Fernão, nomeadamente na forma como vai manter e transmitir os seus bens e, uma década depois do seu infortúnio, guindar-se a funções que lhe restituíram a honra maculada pelos abusos cometidos na gestão alfandegária.
Desta sorte, sobre este Fernão Sodré, D. Flamínio de Sousa transcreve a carta de dote seguinte “Dote de Fernão Sodré, criado de El-Rei D. João I e Reposteiro-mor da Rainha de Castela, a Isabel Serrã donzela da Infanta D. Beatriz e filha de Afonso Lopes e de Tareja Anes amos da dita Rainha, para casar com seu filho João Sodré escudeiro e escrivão de El-Rei de todos os seus bens e da dita ama Tareja Anes, sua segunda mulher e mãe da noiva, sitos em Álcacer, Montemor, Almada e Mafra, menos as legítimas das outras filhas que tinha da dita ama…. Lisboa, 9 de Junho de 1447.” e, noutro documento, “Doacção de João Serrão, menor de quinze anos, e de Inês Serrã de suas legítimas à dita Isabel Serrã sua irmã…. Confirmado tudo 1457”.
Da chancelaria de D. Afonso V, livro 2 de místicos, fl. 152v, transcrevo o seguinte “A João Sodré e Isabel Serrã sua irmã confirmação de doacção que lhe fez João Serrão e Inês Serrã de todas as terras e herdades, vinhas e outros bens que lhe pertenciam haver e herdar por morte de seu pai e mãe em a vila de Montemor-o-Novo e em Alcácer e em Almada e em esta cidade de Lisboa e em Mafra e seus termos…” e “João Serrão escudeiro da casa de D. Isabel Rainha de Castela, sua irmã Inês Serrã, donzela da dita senhora, por grande dívida de irmandade que haviam com Isabel Serrã sua irmã, donzela da senhora infanta D. Beatriz, por quanto ora casava com João Sodré escudeiro e criado de El-Rei…”.
D. Isabel foi Rainha de Castela por casamento com o Rei D. João II de Castela, então viúvo, em 1447. Era filha do Infante D. João (1400-1442), Condestável do Reino e Administrador da Ordem de Santiago, e irmã da Infanta D. Beatriz atrás referida. Sendo Tareja Eanes ama de D. Isabel isso terá concorrido para que o seu segundo marido, Fernão Sodré, viesse a ascender à honra de ser nomeado para o cargo palatino de Reposteiro-mor real. O casal deve ter partido para Castela e por lá ficado o resto da vida, porquanto deixa todos os bens aos respectivos filhos dos seus primeiros casamentos, que aliás também casaram um com o outro (João e Isabel). Por sua vez, dois outros filhos de Tareja e de Fernão vão abdicar da sua parte da herança em prol do dito casal.
Na época em que Fernão seria ainda um jovem escudeiro, Gomes Eanes de Zurara (1410-74), Cronista-mor de Portugal e Guarda-mor da Torre do Tombo, na Crónica do Conde D. Pedro de Meneses, no capítulo LX, intitulado “Como alguns Fidalgos de Ceuta, contra a vontade do Conde, foram ao Vale de Negrão”, refere um João Sodré num contexto em que ele integra uma força montada em vias de encetar uma correria espontânea em terras mouras, à qual um escudeiro do Conde, de apelido Vaz, dirige a palavra dizendo “se vós que sois os principais Fidalgos, que aqui estais, quiserdes fazer começo na desobediência…”. Ou seja, tudo aponta para que fosse um homem de armas, talvez mesmo alguém já armado cavaleiro, até porque o capítulo em apreço nomeia os que apenas eram escudeiros. Destarte, é de pressupor que João e os demais fossem cavaleiros a quem o escudeiro Vaz (ou melhor, o próprio autor Zurara) chama “principais fidalgos”
Posto que os dois cercos mouros, de 1418 e 1419, apenas se iniciam no capítulo LXII, a incursão teve lugar entre 1415 e 1418, e a presença de João Sodré em Ceuta nesse período indicia que terá participado na conquista da praça, a 22 de Agosto de 1415, e terá passado a fazer parte da guarnição. Não se conhecendo documentação que mencione um Sodré em data anterior, excepto Fernão Sodré, escudeiro em 1414, não há razão para aventar que os primeiros Sodrés fossem outra coisa que não combatentes ou homens de armas. Décadas depois, em tempos de paz, aparecem, então sim, em cargos associados a oficiais régios e aquele Fernão Sodré será escrivão da alfândega de Lisboa e, mais tarde, o seu filho João ascenderá a almoxarife do armazém igualmente de Lisboa.
Por uma qualquer razão, alguns autores focaram as ligações burocráticas tardias à alfândega de Lisboa e praticamente olvidaram o mais antigo reporte militar a Ceuta, quando procuraram as origens sociais dos primeiros Sodré. E, nessa demanda, é de aceitar que, pelo menos, se deve recuar uma geração para trás de João Sodré. Aí talvez esteja o primeiro a usar o apelido (especialmente se fosse uma alcunha) e, na verdade, desconhece-se se o encontraríamos num funcionário civil, num combatente profissional, ou noutra função. Apenas se pode especular.
O que é assaz provável é que o cavaleiro João Sodré de Ceuta fosse mais velho do que o escudeiro Fernão Sodré, até porque este era vivo e activo em 1447, embora João também devesse ser jovem e algo indisciplinado como se deduz da crónica que o mostra envolvido em cavalgadas aventureiras não autorizadas pelo Governador D. Pedro de Meneses. Assim, temos por bom que este João é o mais velho Sodré documentado, e não será por acaso que João é o nome próprio mais comum nesta família nos tempos mais recuados. Porventura, indiciando que um João Sodré (talvez pai dos anteriores) foi o progenitor da família…
Tentar reconstruir todas as ligações familiares entre os primeiros Sodrés com base na informação credível até ao presente descoberta apenas gera erros em tudo similares aos incorridos pelas antigas genealogias manuscritas, com encaixes forçados e datas de nascimento e óbito inventadas para se ajustarem. É um esforço inglório. Assente em documentação segura já publicada, pode-se afirmar que o Reposteiro-mor Fernão Sodré foi bisavô do navegador Vasco da Gama (que um documento denomina Vasco da Gama Sodré), por via do seu filho João Sodré e da sua neta Isabel Sodré. Quanto ao cavaleiro João Sodré, é bem mais difícil afiançar o que quer que seja, mas é bem possível que fosse avô de Duarte Sodré e pai da mãe deste, Inês Sodré, porque João vai ser o nome do filho primogénito de Duarte (não herdará porque se fez frade franciscano) e este não dá o nome de Fernão a nenhum outro dos três que teve (João, Francisco, Manuel, conforme frisa no seu testamento), o que é esclarecedor. Embora, seja uma fonte posterior, é também de notar que António Carvalho da Costa, no tomo três, capítulo XVI, da sua "Corografia Portugueza...", de 1712, escreve que Duarte Sodré foi neto de João Sodré, que teve moradia de fidalgo na casa de D. Afonso V.
Duarte Sodré fez o seu testamento na vila de Montemor-o-Novo e Fernão Sodré teve terras nos arredores, uns cinquenta anos antes, mas isso não configura ligação familiar estreita. É um facto que, bem mais tarde, descendentes de Duarte Sodré terão o nome de Fernão, mas isso porque o seu neto e homónimo Duarte Sodré, filho de Francisco Sodré (que herdou o morgado) e de Violante Pereira, casou com D. Dionísia de Sande, filha do Comendador Fernão Lopes de Sande (que também foi padrasto de Duarte Sodré após morte de Francisco Sodré), de quem teve Fernão Sodré Pereira e Francisco Sodré Pereira. Este Fernão foi Senhor de Águas Belas e do morgado dos Sodré, e o nome próprio vem-lhe do avô materno.
Inês Sodré, seguramente mãe de Duarte Sodré, poderá ter sido filha do João Sodré de Ceuta (julgo que o mais provável), ou do primeiro casamento de Fernão Sodré (as datas não permitem ser uma das filhas do segundo casamento), ou doutro Sodré que possa ter vivido nesse tempo. Contudo, o mais adequado é terminar o estudo genealógico ascendente das linhas que vão dar ao Alcaide-mor de Tomar na figura da sua mãe Inês (o pai foi Gil Pires de Resende), talvez nascida por volta de 1414, enquanto Duarte Sodré poderá ter nascido em Santarém, onde os pais residiam, durante o reinado do Rei D. Duarte (1433-38) e daí o seu nome.
Frei Duarte Sodré foi indubitavelmente um dos maiores cavaleiros da Ordem de Cristo da segunda metade do séc. XV, chegando a Comendador do rico domínio rural da Cardiga e a Alcaide-mor da vila e castelo da sede da Ordem, Tomar, além do de Seia. Não é pois de estranhar a seguinte disposição testamentária “Item mamdo que me emterem no meu mamto bramco que eu sempre traguo comygo como a nosa regra hordena e mamda”. Todavia, revelou pouca aptidão para a acumulação de bens materiais e por sua morte deu instruções para que se realizassem diversos pagamentos e doações, que muito diminuíram o património familiar. Os seus dois filhos (descontando o João franciscano), Francisco e Manuel, partirão para a Índia em busca de melhor fortuna, na armada de Jorge de Aguiar do ano de 1508, e por lá ficaram. Foi a mulher de Francisco, Violante Pereira, quem, quando este era falecido, intentou uma acção judicial de reivindicação do morgado de Águas Belas, na condição de herdeira do seu irmão Rui Pereira, e só o seu já idoso filho, Duarte Sodré Pereira, recebeu o morgado patrimonial, tirada a jurisdição, por sentença da Casa da Suplicação de 22 de Novembro de 1574, juntando-o ao mais pequeno dos Sodré de Santarém.
Então sim, a linhagem iniciada por Duarte Sodré ganha real relevo social, advindo Sodrés Pereiras, Senhores de Águas Belas, descendentes, por via feminina, do primeiro morgado (confirmado a 20 de Maio de 1361 pelo Rei D. Pedro), Rodrigo Álvares Pereira, irmão mais velho do Santo Condestável e participante pelo lado português nas guerras de D. Fernando e de D. João I contra os castelhanos, como aparece nas crónicas de Fernão Lopes, recebendo pelo seus feitos Vila Nova de Cerveira (doação de 09 de Março de 1386), até que, por razões desconhecidas, emigrou para Castela algures entre 1389-90. O senhorio de Águas Belas seguiria para o seu filho, Álvaro Pereira, que participou na tomada de Ceuta (como João Sodré), em 1415, e obteve significativas mercês do Rei D. João I e do seu tio, o grande D. Nuno Álvares Pereira.
Explicada a ascensão destes Sodré, é de regressar à demanda da origem deste apelido e apresentar uma nova proposta de possível solução, alicerçada na conjuntura em que ele surge aparentemente do nada e como alcunha. Talvez seja de começar com o Rei D. Fernando, subscritor do já mencionado tratado anglo-luso de Tagilde, a 10 de Julho de 1372, e que, no quadro das suas guerras com Castela, recebe o apoio do exército inglês do Conde de Cambridge (filho do Rei Eduardo III), o qual permaneceu em Portugal de 19 de Julho de 1381 a 01 de Setembro de 1382, cujos capitães influenciaram a instrução militar do futuro Condestável D. Nuno Álvares Pereira e a forma de dar batalha adoptada em 1384-85 nos Atoleiros e em Aljubarrota. Homens de armas e archeiros ingleses participaram na épica vitória de 14 de Agosto, e muitos mais passaram pelo nosso país durante os anos de guerra.
É conhecido que, a partir do Rei Eduardo I (1272-1307), a coroa inglesa recorreu progressivamente aos serviços de mercenários recrutados por contrato liderados por um capitão profissional da guerra. O verdadeiro sistema feudal já não vigorava em Inglaterra e a alta nobreza era incapaz de fornecer as mesnadas necessárias de combatentes. A formação de um novo exército de guerreiros a soldo permitiu a homens de armas aventureiros, sem terra e de obscura proveniência, conquistar para si um lugar ao sol. Deste modo, quando eclode a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), os nobres ingleses estavam habituados a combater lado a lado com os peões, entre os quais o escol era formado pelos archeiros equipados com um arco longo de 1,5 a 2m, de origem galesa, adoptado pelos ingleses. Atrás deles seguiam os cutileiros, quase todos galeses, armados com uma longa faca de aço, excelente para eliminar os cavaleiros derrubados e com dificuldade em se erguer.
Segundo Ricardo Schutz, na “História da Língua Inglesa”, Robert de Gloucester refere o inglês, em 1300, como uma língua ainda falada apenas pela arraia-miúda, “low people”, e este só será usado na abertura do parlamento de 1362 em diante. No período a que nos reportamos, a terminologia militar seria basicamente francesa. Ora, desde o séc. XII que soudoyer significa contratar gente de guerra a soldo, e o substantivo sodoier (mercenário) deu o inglês soldier (soldado). Actualmente existem em Inglaterra os apelidos Sodoyer (do francês antigo) e Souder (do inglês médio 1066-1475) que remetem para o antedito.
Será esta a origem da alcunha tornada apelido Sodré? Seria o primeiro Sodré um capitão ou um mero homem de armas inglês dos que ajudam os reis portugueses nas lutas contra Castela a partir do tempo de D. Fernando? Um sodoyer ou souder? Se assim foi, era possível que ele tivesse uma qualquer ligação aos Boteler ou Butler, ou a alegasse, o que explicaria o escudo de armas depois indigenizado e oficializado em Portugal.
Outrossim, se esta congeminação se aproximasse da verdade, os dizeres na campa de Duarte Sodré “que descende e vem da linhagem da caza do Sodrea que he caza de grandes senhores do Reyno de Inglaterra” encaixariam minimamente na ordem que dá no seu testamento “Item mamdo que sobre mym lamcem hua campanam com mynhas armas e nella se ponha letra que faça memorya de mym…”, porquanto somente haveria que descontar o natural exagero, empolado pelo tempo decorrido, pois, com certeza, as origens de um qualquer, autêntico ou suposto, Butler da segunda metade do séc. XIV seriam agigantadas pelos Sodré da primeira metade do séc. XVI (a laje deverá ter sido cinzelada entre 1500-08). Outro tanto se pode afirmar para qualquer outro sodoyer-souder inglês, mesmo que não reivindicasse ser um Butler, que fosse o genearca da família. A construção de uma lenda de grandeza em torno dele seria altamente provável.
No entanto, somente as circunstâncias históricas assinaladas e a sugestão de similitudes etimológicas não bastam para assumir a resolução do problema sem mais documentação.
Ao invés, caso o progenitor da família Sodré fosse um português de raiz, cujo apelido derivasse de uma alcunha indecifrável (até ao momento, o nome Sodré é documentalmente datável da segunda metade do séc. XIV), então a conjuntura da época em que brotou à luz do dia torna muito crível que se lhe aplicasse a famosa sentença de Fernão Lopes expressa no capítulo da Crónica de D. João I sobre a “sétima idade que se começou no tempo do Mestre..., na qual se levantou outro mundo novo e nova geração de gentes. Porque filhos de homens de tão baixa condição que não cumpre dizer, por seu bom serviço e trabalho foram neste tempo feitos cavaleiros, chamando-se logo de novas linhagens e apelidos...”.
A conjectura de que os Sodré foram sempre portugueses também se alicerça no facto de nenhuma fonte indiscutivelmente dos séc. XIV ou XV apontar nitidamente no sentido de não o serem (excepto o ordenamento do escudo de armas). Julgo também que uma elevação social recente (talvez do seu pai) por bons serviços em nada impediria que João Sodré fosse colocado por Zurara entre os fidalgos de Ceuta.
Entretanto, a publicação do limitado material sobrevivente da chancelaria de D. João I (1384-1433) não forneceu qualquer nova pista. Desta sorte, sem o aparecimento de nova documentação, este é o meu presente ponto de situação do problema em análise, o qual fica devedor do vasto levantamento feito pelos investigadores Manuel Abranches Soveral e Manuel Lamas de Mendonça.
 
 
 
Bibliografia Sumária:
Artigos relativos a indivíduos da família Sodré, inclusive Vasco da Gama, publicados na revista “Armas e Troféus”, 1987-88, 1991, 2002-03, 2008; na revista “Raízes & Memórias”, 2004; no boletim da Academia Portuguesa de Ex-Líbris, 1992, 1995-99; e as diversas fontes neles transcritas ou citadas. Pesquisas na Internet e em obras de História e de Etimologia.
 
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Instituição e Confirmação do Morgado de Águas Belas

Este Rodrigo Álvares Pereira, 1º Senhor de Águas Belas, era irmão do Santo Condestável.

A partir do casamento de Violante Pereira com Francisco Sodré, em finais do séc XV ou inícios do XVI, começou um processo que levaria a que os Sodré Pereira se tornassem Senhores de Águas Belas, acumulando com o morgado dos Sodré de Santarém na região do Alviela.    

 
Dom Pedro pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve. A quantos esta carta virem faço saber que Álvaro Fernandes escudeiro meu vassalo tutor de Rodrigo Álvares e de Pedro Álvares e de Diego Alvares criados do prior do Hospital me disse que ele e Gomes Martins do monte outrossim meu vassalo e João Afonso natural de Sevilha fizeram doações de parte de seus bens aos sobreditos cujo tutor ele é como se contém em escrituras públicas de tabeliães que tais são. Em nome de Deus amém saibam quantos esta carta de doação e de ordenação e de morgado virem que eu Álvaro Fernandes escudeiro vassalo do infante D. Pedro dou e outorgo por juro e herdade para sempre a vós Rodrigo Álvares filho de D. Álvaro Gonçalves de Pereira as minhas quintas de Águas Belas e de Vale de Orjaes com todas as herdades também de pão como de vinho assim arrotas como por arromper e com todos os casais e matas e defesas e com todo o senhorio e couto e honra e jurisdição e padroado da igreja de Santa Maria do dito lugar de Águas Belas e com todas as entradas e saídas e divisões e com todos seus usos e direitos e coisas e pertenças que às ditas quintas pertencem de direito e de facto também nos termos e divisões das ditas quintas como fora deles. E esta doação e ordenação faço por esta guisa que depois da nossa morte fiquem as ditas quintas e as coisas sobreditas ao primeiro filho lídimo que houverdes e assim fique sempre ao maior filho daqueles que de vós descenderem lidimamente. E quando hi houver filho lídimo a filha lídima não possa herdar como quer que maior seja. E quando hi não houver filho lídimo que então fiquem as ditas quintas e casais e pertenças delas e senhorio e jurisdição e padroado a Pedro Álvares irmão do dito Rodrigo Álvares e aos seus filhos e aos descendentes deles pela guisa que dito é de Rodrigo Álvares. E não ficando filhos lídimos do dito Pedro Álvares que fiquem a Diego Álvares e daí em diante fiquem pela linha direita aos descendentes dele. E se hi não houver descendentes fiquem a seus irmãos que venham da parte do dito D. Álvaro Gonçalves padre do dito Diego Álvares e haja os para sempre uma pessoa por morgado pela guisa que dito é de Rodrigo Álvares e de seus descendentes. E quando estes susoditos não houverem filhos lídimos que então as filhas maiores possam herdar assim como dito é dos filhos maiores lídimos e assim os seus descendentes deles. E ficando estas pessoas susoditas extintas e os descendentes delas que então fiquem as ditas quintas e casais e jurisdição e senhorio e padroado e pertenças delas ao Hospital de Santa Maria de Flor da Rosa. E esta doação vos faço por muito bem e muita mercê que me fez vosso padre e aqueles donde vindes e dou e outorgo eu dito Álvaro Fernandes a vós dito Rodrigo Álvares quer a vosso tutor ou criador poder cumprido para entrardes em tença e a posse das ditas quintas e coisas susoditas sem outorgamento de juiz ou doutra pessoa qualquer e sem outra nenhuma figura de juízo. E sobre tudo isto prometo e outorgo que esta doação e ordenação e morgado vá sempre por firme e estável e que nunca contra ela venha por nenhuma maneira a….damente que nunca a revogarei ainda que depois fizerdes ou disserdes algumas das coisas que dizem as leis por que as doações podem ser revogadas. E todas estas coisas e cada uma delas prometo por mim e por meus herdeiros de guardar e cumprir e de não vir contra nenhuma delas sob pena de quatro mil libras a qual pena pagada ou não a dita doação ordenação fique sempre firme e valedora feita a dita carta em bom jardim termo da Sertã seis dias de Setembro era de mil trezentos e noventa e quatro anos (é 1356, pois é preciso descontar 38 anos para transformar a era de César em era de Cristo).
Testemunhas: frei João Fernandes comendador da Flor da Rosa e João Afonso e Vasco Rodrigues e Gomes Martins escudeiros do prior do Hospital e outros. E eu Domingos Vicente tabelião de nosso senhor El-Rei na Sertã a isto presente e rogado fui e a mandado e outorga do dito Álvaro Fernandes esta carta da dita doação e coisas escrevi e meu sinal aqui fiz que tal é.
 
E para as ditas doações serem firmes e estáveis para sempre e não poderem ser desfeitas nem revogadas pediu-me por mercê o dito Álvaro Fernandes como tutor dos ditos moços e em seu nome deles que lhas confirmasse e outorgasse as ditas doações como em elas é conteúdo e lhes mandasse dele dar minha carta. E eu vendo o que me pedia e querendo fazer graça a mercê aos ditos Rodrigo Álvares e Pedro Álvares e Diego Álvares de minha certa ciência e de meu poder absoluto outorgo-lhes e confirmo as ditas doações que lhes assim os sobreditos Álvaro Fernandes e Gomes Martins e João Afonso fizeram das ditas quintas e coutos e honras e pertenças e direitos delas e as hei por firmes estáveis para sempre pela guisa que lhes pelos sobreditos foram dadas e outorgadas e é conteúdo nas ditas cartas das ditas doações. E se nas ditas doações e em esta minha carta de confirmação falecem algumas clausulas que de direito e de costume aí devessem ser postas para as ditas doações serem valiosas e estáveis eu as hei aqui por postas e escritas. E quero e mando que lhe não possa porem de fazer nenhum prejuízo. E que valham e sejam firmes e estáveis para sempre sem outro nenhum valimento. E em testemunho disto mandei dar aos sobreditos Rodrigo Álvares e Pedro Álvares e Diego Álvares esta minha carta selada do meu selo de chumbo dada em Elvas XX de Maio El-Rei o mandou por Lourenço Esteves seu vassalo Vasco Anes a fez era de mil trezentos e noventa e nove anos (é 1361, pois é preciso descontar 38 anos para transformar a era de César em era de Cristo).
 
Chancelaria de D. Pedro I, livro 1, folha 53v)
 
Ver anexo XXXII, pp 64-66 da obra “A Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere” de António Baião (director da Torre do Tombo, etc…) Imprensa Nacional de Lisboa, 1918.
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Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Duarte Sodré, Alcaide-mor de Tomar, falecido a 25 de Agosto de 1500

 

  • Foi um dos mais importantes freires cavaleiros da Ordem de Cristo da segunda metade do século XV.
  • É bem possível que tenha nascido durante o reinado de El-Rei D. Duarte, entre 1433 e 1438, o que justificaria o nome próprio que lhe deram de Duarte.
  • Muito provavelmente, era natural de Santarém, pois os seus pais aí viviam numa casa ao pé da calçada do Gaião, que Duarte herdou. Sabe-se que era uma casa grande com um quintal de árvores e laranjeiras.
  • Sua mãe foi Inês Sodré, talvez nascida por volta de 1414.
  • O seu apelido de Sodré e respetivo brasão veio-lhe pelo avô materno, que uma fonte fidedigna, mas posterior, diz ser João Sodré e refere-o como Fidalgo  da Casa de D. Afonso V. Este João é provavelmente o mesmo que Zurara apresenta como Cavaleiro em Ceuta antes de 1418, pelo que deve ter participado na sua conquista em 1415.  .
  • Duarte não seria o primogénito mas sim um filho segundo. Seu pai, Gil Pires de Resende, exerceu diversos cargos ao serviço da Coroa, nomeadamente Contador régio nos almoxarifados de Santarém e Abrantes; Vedor-mor das obras régias de Almeirim; Procurador régio; Escrivão da sisa e dízima régia de diverso pescado do rio Tejo; e instituiu uma capela na Igreja de Santa Cruz de Santarém. Por linha feminina, descendia de Martim Vasques de Resende, a quem El-Rei D. João I, a 21 de Setembro de 1386, confirmou a posse do couto de Resende que lhe vinha de seus antepassados.
  • Em 1465, era Escudeiro da Casa do Infante D. Pedro (filho de D. Pedro, antigo regente do Reino e Duque de Coimbra, morto na Batalha de Alfarrobeira, a 19 de Maio de 1449), ex-Condestável do Reino e efémero Rei da Catalunha de 1464 a 1466.
  • A 06 de Junho de 1466, o Rei D. Afonso V perdoou-lhe o degredo na vila de Santarém, sendo Escudeiro da Casa do Infante D. Fernando, falecido em 1470 (Duque de Viseu e de Beja, Mestre da Ordem de Cristo, herdeiro do Infante D. Henrique “o Navegador”, seu tio. Foi o pai do futuro Rei D. Manuel), tendo pago 200 reais para a Piedade. Ainda desconheço qual a razão para esse degredo.
  • Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador de Santa Ovaya do Juncal, antes de 1475.
  • A 21 de Março de 1475, o Rei D. Afonso V privilegiou-o, a pedido do Duque (D. Diogo), ao conceder-lhe licença para arrendar a Comenda de Santa Ovaya do Juncal, da qual então já era Comendador.
  • A 21 de Junho de 1476, o Rei D. Afonso V confirmou o privilégio a Duarte Sodré, Comendador, para todos os seus caseiros e lavradores.
  • Vedor da Casa do Duque de Viseu, D. Diogo, que era o Mestre da Ordem de Cristo.
  • Por carta de 23 de Agosto de 1486, registada na Chancelaria do Rei D. João II, onde é designado como Cavaleiro da Casa Real, o Príncipe Perfeito autoriza-o a constituir um morgado nos reguengos de Tojoza e Alviela (termo de Santarém) com a obrigação dos sucessores seguirem o apelido Sodré.
  • No seu testamento, Duarte expõe o modo de sucessão nesse morgado e assume-se como fundador de uma linhagem iniciada com este morgado, cujos descendentes devem fazer por acrescentar e conservar a memória da sua origem.
  • Recebeu do Rei D. João II, a 10 de Novembro de 1492, a doação de certos bens e herança no lugar de Romão, no almoxarifado da Guarda, tomados a três moradores locais.
  • Vedor da Casa do Duque de Beja, futuro Rei D. Manuel, e Mestre da Ordem de Cristo, já o era a 10 de Novembro de 1492, passando a Vedor da Casa Real quando este subiu ao trono em 1495.
  • A 26 de Janeiro de 1493 já era Comendador e Alcaide-mor de Tomar (sede da Ordem de Cristo).
  • Provedor das capelas do Infante D. Henrique (o Navegador) com 7 marcos de prata de ordenado, desde o momento em que foi designado Alcaide-mor de Tomar, por inerência a este cargo decorrente de disposição testamentária do Infante.
  • Comendador da Cardiga, em data posterior a 26 de Janeiro de 1493 (neste dia ainda pertencia a Heitor de Sousa), uma das mais importantes da Ordem de Cristo.
  • Pelo menos desde 1494, foi Alcaide-mor de Seia.
  • Fez testamento em Montemor-o-Novo, a 29 de Fevereiro de 1496, o qual foi redigido por um tal Rui de Pina, Cavaleiro da Casa Real e Escrivão das confirmações, que bem podia ser o futuro Cronista e Guarda-mor da Torre do Tombo, autor de uma crónica de El-Rei D. João II.
  • No testamento manda que lhe façam uma campa “com minhas armas e nela se ponha letra que faça memória de mim”. Pede para ser enterrado ante o altar de Nossa Senhora.
  • A 07 de Agosto de 1500, documento refere-o como Fidalgo régio.
  • Faleceu a 25 de Agosto de 1500.
  • Está sepultado junto ao altar-mor da Ermida de Nossa Senhora do Monte, em Santarém, tendo a sua lápide, epitáfio, escudo de armas pleno de Sodré, ladeado de espada e lança-pendão.
  • Epitáfio “Aqui jaz o muito honrado Duarte Sodré que foi veador da caza D’ El Rey D. Manuel e alcaide mor das vilas de Tomar e Sea e comendador da cardiga o qual descende e vem da linhagem da caza do Sodrea que he caza de grandes senhores do Reyno de Inglaterra e finou-se aos 25 dias de Agosto de mil e quinhentos.” (*)
  • Segundo escreve o seu filho Manuel, terá morrido pobre devido à sua generosidade e, enquanto viveu, era muito valido junto do Rei e conhecido no reino.
  • Os seus descendentes que foram Senhores de Águas Belas (Ferreira do Zêzere), e usavam o apelido Sodré Pereira, eram considerados os chefes do nome e armas de Sodré, até porque também detinham o morgado por ele instituído em 1486.
  • Conforme diz no seu testamento, teve seis filhos legitimados de Catarina Nunes (os cavaleiros da Ordem de Cristo só puderam casar a partir de 20 de Junho de 1496 por autorização do Papa Alexandre VI), que chamaram João Sodré (frade franciscano), Francisco Sodré, Manuel Sodré, Inês de Resende (freira), Leonor Sodré (freira), Isabel Sodré (freira). Refere o seu irmão Antão Sodré (testamenteiro) e a sua irmã Clara Sodré (freira)
  • Integrando o seu morgado, que passou para o segundo filho Francisco, deixou dois casais, um no reguengo do Alviela e outro no reguengo da Tojosa, a sua casa em Santarém e alguns direitos e rendas.
  • Nomeia os seus pajens e outros servidores e os seus escravos, a todos fazendo mercês, os seus credores e os devedores para que se saldem as contas.
  •  Da enumeração de bens que manda distribuir fica-se com a impressão que pouco terá ficado para Francisco e Manuel e daí ambos terem partido para a Índia, em 1508, e por lá morrido.
  • As suas armas seriam divididas pelos seus dois filhos (Francisco e Manuel). O “cavalo grande” ficaria para o morgado Francisco. Ao filho primogénito, o franciscano João, deixa a sua bênção.
  • No testamento, afirma-se Alcaide-mor de Tomar e da vila de Seia, e Criado de D. Manuel.
  • Por disposição testamentária, pede para ser enterrado envergando o seu manto branco de freire cavaleiro da Ordem de Cristo que vestia diariamente, conforme ordenava a regra da Ordem.

(*) Há indícios de que os dizeres na campa relativos a vir de uma Casa do Sodrea, de grandes senhores ingleses, seja um empolamento dos seus descendentes, uma vez morgados, para enobrecerem as suas origens, e que, na realidade, o apelido Sodré derive de uma alcunha criada em Portugal, talvez na segunda metade do séc. XIV.   

 
publicado por Eu às 19:35
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